Análise Arkade – Core Keeper e Riders of the Underground
Análise de Core Keeper e da atualização gratuita Riders of the Underground, que adiciona montarias e novas opções ao sandbox de sobrevivência.
Core Keeper é uma ótima opção para quem gosta de explorar, construir e evoluir sem pressa, do seu jeito e no seu ritmo, principalmente em dupla ou em grupo. E o Riders of the Underground, que chegou recentemente, não custa nada: é a atualização gratuita 1.3, lançada em 21 de setembro de 2026 em todas as plataformas do jogo. Quem já tem o jogo base recebe tudo de graça, e quem ainda não tem leva a versão mais completa já no primeiro dia.
Sobrevivendo no seu ritmo

O jogo, basicamente, é um sandbox de sobrevivência em visão de cima, passado numa caverna gigante gerada de forma procedural. Você acorda perto de um enorme Core, quebra raízes para juntar madeira, monta uma tocha, uma picareta e uma bancada, e a partir daí cava para onde quiser.
Mas não ache que este jogo, por causa de seu visual e jeitão de Stardew Valley ou Terraria, é uma mera “cópia”. Nada disso. Os conceitos básicos até são parecidos, mas a forma de se jogar é totalmente diferente, já que não há amarras e nem limitações. Sabe aquelas barreiras naturais que te impedem de explorar Stardew Valley de uma vez, logo no começo do jogo? Aqui não tem nada disso.
O jogo, que permite até 8 jogadores juntos, parte do princípio de que você faz o que quiser, quando quiser, decidindo avançar ou recuar quando achar necessário. Não há guias, não há roteiro e nem rotas pré-definidas. Você começa o jogo, vai descobrindo o que fazer e se virando sozinho pra descobrir se é melhor seguir em frente, dar uma pausa, ou tentar outra rota.
A Pugstorm, estúdio sueco, lançou o jogo em acesso antecipado no PC em março de 2022. Segundo a própria empresa, passou de 2 milhões de cópias vendidas antes mesmo da versão 1.0 e agora fala em mais de 6 milhões de jogadores. A versão 1.0 chegou em 27 de agosto de 2024 ao PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S (com Game Pass no primeiro dia), e em 17 de setembro de 2024 ao PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch. Hoje o jogo também aparece como disponível no Switch 2.
Stardew Valley e Terraria: o que ele pegou de cada um

De Terraria, vem a base: mineração, criação de equipamentos, chefes grandes e uma árvore de habilidades que dá bastante margem para montar builds diferentes. De Stardew Valley, vem o lado de cuidar: plantar, regar, cozinhar e cuidar de animais, tudo com ritmo tranquilo. Com o clima escuro das cavernas, que exigem luz por parte do jogador, também podemos citar Dungeon Keeper como influência.
O que costuma chamar atenção é o contraste. Você passa uma hora em áreas que dão um friozinho na espinha e volta para uma base com fazenda, panelas e baús organizados, sem que um ambiente atrapalhe o outro. E como diz aquele YouTuber de viagens famoso, o Nômade Raiz, aqui “o roteiro vai se criando”, literalmente.
Pois assim como nos vídeos do viajante, que hora está em uma metrópole chinesa, hora está enfiado em um vilarejo de 200 habitantes no meio da Tailândia, no game você vive uma experiência semelhante, já que quando menos espera, o ambiente muda, e as necessidades de cenário também.
O que o jogo tem de “seu”

Mas, como disse anteriormente, é muito simplório jogar Core Keeper e tratá-lo como um “clone de jogo de fazendinha e mineração”, pois o game não é só isso.
Os suecos tiveram boa capacidade ao adicionar o toque do estúdio no game, dando a ele não só identidade própria, como também permitindo que um gameplay tão conhecido por parte dos jogadores se transformasse em algo único, e eficiente. Dentre os elementos que tem a “cara” de Core Keeper, destaquei as seguintes:
- Habilidades que sobem com o uso. São sete disciplinas, entre elas mineração, corrida, combate corpo a corpo, criação, magia e jardinagem. A cada 5 níveis numa habilidade, você ganha 1 ponto de talento para gastar na árvore dela. E que vai seguir o seu roteiro, pois a evolução vem junto com seu estilo de jogo.
- Baús que alimentam as bancadas. Itens guardados num baú ao lado de uma bancada contam como se estivessem no seu inventário, inclusive na estação de reparo, em uma leve inspiração em Resident Evil, mas adaptado para a dinâmica de um jogo com proposta diferente. Isso corta muita ida e vinda com o menu aberto.
- Estação de Salvamento e Reparo. Ela desmonta itens inúteis em materiais e conserta ferramentas quebradas em vez de obrigar você a fabricar outra. O reparo pode ser mais útil e te faz ter mais autonomia na exploração ao invés de ter que andar sempre pensando na quebra do seu item.
- Cozinha com combinação de dois ingredientes. Cozinheiros de Zelda vão gostar dessa, pois dá pra preparar receitas com dois ingredientes combinados, para potencializar o efeito: Glow Tulip com uma Bomb Pepper, por exemplo, vira a Spicy Tulip Salad, que dá luz, 21% de velocidade de movimento e regeneração de mana. O buff Well Fed ainda soma 5% de dano e de vida máxima.
- Três espaços de equipamento. Dá para trocar de conjunto entre exploração, combate e coleta sem remontar tudo na mão.
Apesar da liberdade de exploração, tem um outro elemento “emprestado” de Resident Evil aqui que faz diferença na hora de jogar são elementos trancados de propósito, que exigem uma ação do jogador. Um portão de pedra no subsolo, por exemplo, avisa que você precisa de mais dano de mineração, e um bloco gigante de cobre só quebra depois que você tem uma broca estacionária. É a única limitação do game, mas que te permite sair pelo mundão do game para explorar soluções alternativas ou até voltar depois, enquanto segue sua jornada.
O que o Riders of the Underground acrescenta

A atualização 1.3, que chegou recentemente,mexe principalmente na forma de se deslocar e em duas builds que estavam abandonadas.
Montarias. Qualquer gado domado pode ser montado: basta fabricar uma Sela na bancada de pecuária (ao custo de 6 madeiras, 4 barras de cobre e 3 fibras), existe também uma Sela de Corrida, e você escolhe se o animal fica parado, circula ou segue você ao descer. E você também tem que cuidar de sua montaria, pois ela também pode ir de arrasta, o que coloca mais um elemento pra você administrar no game.
Gancho (Hookshot). Ocupa o espaço da mão secundária, puxa você por cima de buracos e água e tem uma versão Gilded. Não substitui as pontes, porque precisa de uma superfície onde se prender do outro lado, mas acaba com a parada para construir cada vez que um buraco pequeno corta o túnel.
Summoner e Mage reformulados. O invocador ficou bem diferente: armas como o Tome of the Dark reservam parte da mana, e o lacaio continua ao seu lado até você liberar essa reserva, sem aquele tempo contado. O Runestone Scepter amaldiçoa um inimigo e faz os lacaios causarem 40% a mais de dano nele. A árvore de talentos de magia também foi reorganizada e ganhou novos cajados, a partir do que a comunidade pediu.
Bioma Moss e o Orex. Dentro das Forgotten Ruins surge um bioma coberto de musgo, sem predadores naturais, onde vive o Orex, uma raça de gado com cara de bicho feroz, olhos para a frente e dentes afiados, mas que se alimenta de insetos e cogumelos e é calmo.
Equipamento e inimigos novos. Vieram 10 peças de armadura, 15 anéis, 15 colares, 7 cetros (um deles lendário), quatro conquistas e armas como o Corrosion Staff, o Blizzard Staff e um Sniper Rifle. Entram também os inimigos Wingling e Searpent, e os Titãs Azeos, Omoroth e Ra-Akar passam a soltar baús de recompensa.
Pets novos. O Hoppet, uma criatura parecida com um sapo, joga projéteis e pode deixar inimigos escorregadios, e o Azeos Jr voa ao seu lado atirando fragmentos que atordoam. Os dois nascem de ovos encontrados na exploração, em várias cores.
Melhorias de uso. Dá para comparar um item com o que você está usando, ciclar entre equipamentos com um atalho, ajustar o cursor e a mira, pintar áreas de até 5×5, e barcos, vagonetes e karts voltam para o inventário quando você morre. O kart também ganhou freio de mão e curva melhor. Houve um patch no dia 22 de setembro que levou o jogo à versão 1.3.0.2.
A ideia mais misteriosa do jogo

O mistério que mais aparece no jogo hoje se chama Road to the Maw. É o caminho de três grandes atualizações gratuitas: a 1.3 (já lançada), a 1.4 Trials of the Depths e a 1.5 Beyond the Breach, sem data para as duas últimas. A Pugstorm planejou originalmente um único lançamento enorme e dividiu em três para ninguém esperar anos. Ela não explicou o que é o “Maw” nem o que existe depois do Breaker’s Reach, o bioma mecânico e corrompido que chegou na 1.2, em 25 de fevereiro de 2026. O que dá para dizer é que o jogo está sendo construído para algo que fica depois dessa região.
Existe ainda um segredo menor: o terceiro pet da 1.3 foi escondido de propósito. O estúdio só informou que ele está no Desert of Beginnings e deixou as habilidades para os jogadores descobrirem.
Curte jogar entre amigos ou sair explorando sem hora pra parar? Então talvez tenha achado o seu jogo!

Core Keeper, antes de tudo, é uma ótima opção para jogar entre amigos. Como em um RPG, cada um pode trabalhar em uma função específica, e juntos resolverem os desafios do jogo. E se você jogou Stardew Valley, vai poder sentir um pouco mais de frio na espinha por aqui, já que o perigo é maior, com chefes e inimigos que aparecem em locais que você simplesmente descobre onde estão, ao invés de te esperarem em locais específicos como no famoso jogo de fazendinha.
Mas o oposto também vale: Core Keeper também é um Terraria menos frenético, com foco na organização e que vai dar um pouco de respiro ao jogador, especialmente se ele preferir seguir em caminhos os quais já foi explorado anteriormente, para ampliar seus níveis ou coletar mais recursos.
A forma com a qual o game conta a história também é interessante, pois é minimalista, com o jogador apenas “lançado” no começo de tudo e um belo de um “se vira” pra descobrir o que fazer. Mas que vai seguir te levando para o seu enredo, através do mistério e da curiosidade.
E como o game não tem “paredes” de gameplay, salvo algumas portas ou travas que são mais como puzzles do que elementos narrativos, é um jogo ótimo pra quem quer apenas se jogar no mundão do game, sem um mapa, sem um roteiro e querendo descobrir, no seu tempo, sozinho ou entre amigos, o que o jogo tem para oferecer.
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