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Análise Arkade: Ratatan é tipo um “sucessor espiritual” de Patapon, mas com tempero de roguelite

Ratatan, o sucessor espiritual de Patapon, reaproveita muitos elementos do clássico do PSP, mas adiciona um tempero de roguelite à receita.

Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Ratatan

Se você jogou Patapon, provavelmente tem uma nostalgia internalizada ao ouvir as combinações de comandos rítmicos do game. O recém-lançado Ratatan, reuniu o criador de Patapon, Hiroyuki Kotani, e o compositor do game, Kemmei Adachiesgata, para repetir a fórmula… com alguns novos temperos.

A primeira coisa que deve ser dita para quem chega no trem do saudosismo é: Ratatan não é um Patapon 4 disfarçado. Embora a essência rítmica e o visual sejam bastante familiares, o novo game desconstrói a fórmula original para abraçar a dinâmica dos roguelites modernos e trazer mais possibilidades de personalização. E essas mudanças fazem toda a diferença.

História

Em Ratatan, acompanhamos criaturinhas chamadas Ratatans, habitantes da ilha de Rataport que compartilham um sonho: alcançar o chamado “Além” para encontrar a Deusa que zela por todos. Para abrir caminho até essa terra prometida, eles precisam recrutar peixinhos carismáticos chamados Chorus e transformá-los em um exército destemido para marchar contra hordas de monstros e chefes colossais.

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A narrativa é simples e funciona principalmente como pano de fundo para a aventura. Não espere grandes reviravoltas ou uma trama muito elaborada. O charme está no ritmo, no universo colorido e no carisma das criaturinhas.

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Gameplay

No cerne da jogabilidade está o ritmo. Aqui não somos uma divindade intocável observando o campo de longe, como em Patapon, mas um herói no meio da confusão — que sempre deve acompanhar a batida da música por meio de sequências de comandos rítmicos para realizar ações.

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Marchar, atacar, defender e avançar exigem combinações específicas de botões. Manter o compasso é fundamental, mas não basta só respeitar o ritmo da música: também é preciso observar o campo de batalha, identificar as ameaças e escolher o momento certo para executar os comandos mais adequados. Afinal, um ataque precipitado pode deixar a tropa vulnerável, enquanto uma defesa bem executada pode fazer toda a diferença.

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Acertar os botões no tempo exato gera pontos de precisão e eleva a barra de Tensão até o estado de Febre (o glorioso Fever), momento em que as tropas dobram o alcance dos golpes e a tela vira uma explosão de confetes e pirotecnias festivas.

Ué, mas isso não é Patapon?

É fato que a familiaridade com Patapon é imediata, mas Ratatan modifica a fórmula com uma estrutura de ação roguelite — um elemento que, convenhamos, nem sempre é bem-vindo. As partidas levam o jogador por sequências de confrontos, com recompensas, melhorias e escolhas que influenciam o desenvolvimento do exército.

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A estrutura das partidas adota o modelo de fases procedurais. A cada trecho superado, escolhemos a recompensa do próximo estágio — que podem ser novas cartas de habilidades, doces para melhorias permanentes no vilarejo ou novos integrantes para a tropa. É um ciclo que nos faz voltar ao vilarejo esporadicamente para reiniciar a jornada mais preparado.

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É uma escolha que aumenta o fator replay (afinal, gera conteúdo teoricamente infinito), mas que também diminui a qualidade do level design feito à mão e prejudica uma cadência mais estruturada. Com o passar do tempo, a sensação de repetição vai crescendo. A estrutura cíclica funciona, mas nem sempre oferece situações suficientemente diferentes para tornar uma run realmente diferente da outra.

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Essa repetição pesa especialmente porque o gameplay em si já é bastante formulaico — ordens simples como marchar e atacar devem ser repetidas dezenas de vezes em cada fase. Quando nos deparamos com chefes e situações que exigem mudanças de estratégia, o jogo brilha. Porém, na maior parte do tempo, estaremos repetindo os mesmos comandos e realizando as mesmas ações em estágios extremamente similares.

Audiovisual

Visualmente, Ratatan é um jogo muito carismático, mas ele nem tenta esconder sua principal referência: da tipologia do logo à paleta de cores, tudo remete a Patapon. Mas, como não temos tantos jogos parecidos com Patapon — e o criador de Patapon encabeça o time de Ratatan — era difícil esperar algo muito diferente.

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Análise Arkade: Ratatan (imagem 8)

Dito isso, o mundinho 2D do game é repleto de personagens expressivos, criaturas coloridas e cenários que parecem saídos de um desenho animado. O contraste entre a aparência fofinha das tropas e a intensidade das batalhas funciona muito bem, especialmente quando há dezenas de bonequinhos se enfrentando ao mesmo tempo.

A trilha sonora, naturalmente, é um dos pontos fortes — afinal, o ritmo não é apenas um acompanhamento, mas parte integrante da própria jogabilidade. O retorno do compositor Kemmei Adachiesgata rende músicas familiares e grudentas, que injetam identidade ao jogo e ajudam a transformar os comandos em uma experiência multissensorial: quando você “entra no flow” do jogo, consegue jogar de olhos fechados, deixando-se guiar somente pela música, um experimento bastante satisfatório.

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Apesar destes acertos, o volume de unidades em tela pode deixar as coisas visualmente carregadas, de modo que nem sempre é fácil entender o que está acontecendo em meio ao turbilhão de bonequinhos, efeitos e animações pipocando pela tela.

Um ponto negativo é a ausência de localização para o nosso português brasileiro. Não há uma grande história para ser acompanhada, mas a tradução seria especialmente válida nas primeiras horas de jogo, onde somos bombardeados por tutoriais que explicam o básico dos comandos. Nada é muito complexo de entender, mas o PT-BR faz falta.

Conclusão

Ratatan é uma espécie de “sucessor espiritual” de Patapon que entende o que tornou o jogo tão especial. Mas, ao mesmo tempo, ele não tenta apenas requentar as glórias do passado, mas tem a coragem de acrescentar novos elementos à receita para criar algo que é familiar, mas carrega um frescor, um gostinho de novidade.

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É verdade que nem tudo o que é novidade é bom: a estrutura roguelite acaba deixando as coisas mais repetitivas e o progresso mais engessado. Sem contar que o level design procedural não oferece variedade suficiente para sustentar mecânicas de gameplay que já são pautadas por repetição.

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Ainda assim, é bom ver que o espírito de Patapon segue firme, mais de 15 anos após o lançamento do último game — sem contar os remasters lançados em 2025. E, por mais familiar que seja, Ratatan não está apenas repetindo a fórmula de Patapon: ele está usando o que já existia como base para criar algo novo, com ideias de game design contemporâneas — mesmo que nem todas boas.

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Ratatan é recomendável especialmente porque existem pouquíssimos jogos como ele no mercado. Sua abordagem estratégica dentro do nicho dos jogos de ritmo é muito única, o que faz dele uma pedida certeira para os órfãos de Patapon — e para quem tem curiosidade de experimentar coisas diferentes.

Ratatan está disponível para PC, Playstation 5, Xbox Series e Nintendo Switch 2 (versão analisada).

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Patapon

Ficha do jogo
Plataformas
PlayStation, Retrô
Lançamento
20 de dezembro de 2007
Desenvolvedora
Japan Studio
Publicadora
Sony Interactive Entertainment
Gênero
Musical
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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