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Análise Arkade: Stupid Never Dies tem muito estilo, mas pouca substância

Stupid Never Dies esbanja estilo e criatividade em sua apresentação, mas a repetição inerente do gênero roguelite enfraquece a experiência.

Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Stupid Never Dies

Stupid Never Dies é um jogo que me chamou a atenção desde que foi anunciado. Sua estética pop-punk, e a simples ideia do protagonista ser um zumbi apaixonado pareciam muito promissoras.

E assim… o jogo de fato tem um visual super estiloso, um zumbi apaixonado e algumas boas ideias. Mas, tudo isso acaba encoberto pela repetição da estrutura roguelite.

Um zumbi apaixonado

Em Stupid Never Dies, controlamos Davy, um zumbi que, em pleno pós-apocalipse, se apaixonou por uma jovem humana que decidiu buscar abrigo em um freezer e… morreu congelada.

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Movido pela força do amor (e por poderes recebidos após comer um ovo de fênix), Davy decide enfrentar KOM, o Rei dos Monstros, na esperança de trazê-la de volta à vida. Claro que esta não será uma tarefa fácil: ele terá que mergulhar em masmorras repletas de criaturas bizarras, abrindo caminho na base da porrada e devorando seus inimigos para adquirir novos poderes e ficar mais forte.

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É uma premissa absurda — que escancara o que talvez seja uma das melhores qualidades do game. Já falei muito aqui sobre jogos que não se levam a sério, e o jogo da GPTRACK50 é desses. Ele abraça o exagero e o nonsense, é cheio de personagens esquisitos e piadas de qualidade questionável.

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Some isso à sua apresentação pra lá de estilosa e temos aqui uma receita cheia de potencial… mas este potencial nunca é alcançado por conta de um loop de gameplay roguelite que é formulaico, repetitivo e sem graça.

Gameplay: devorar monstros para ficar mais forte

Na prática, Stupid Never Dies se apresenta como um RPG de ação com progressão roguelite. E a ação até que funciona. A pancadaria não é incrível, mas é funcional. E temos ainda as mordidas, que são o grande twist mecânico do jogo.

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Explicando: ao derrotar determinados inimigos, podemos devorar seus núcleos (?!) que nos permitem assumir suas formas e habilidades. Isso inclui monstruosidades como lobisomens, harpias, vampiros e outras criaturas. Cada transformação oferece habilidades que ampliam as possibilidades de combate e exploração.

Personagens que devoram inimigos e adquirem suas habilidades não são nada originais (Kirby manda abraços), mas essa variedade torna as coisas mais dinâmicas. Algumas formas favorecem ataques à distância, enquanto outras permitem alcançar lugares elevados ou atravessar obstáculos. A possibilidade de combinar essas habilidades com equipamentos e melhorias permanentes abre espaço para diferentes configurações de personagem.

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Além disso, Davy também pode substituir partes do próprio corpo por equipamentos tecnológicos, desbloqueando atributos, habilidades ativas e efeitos passivos. Para um jogo que nem tem um sistema de combate tão bom assim (tudo é um tanto desajeitado e a falta de uma trava de mira é criminosa, especialmente para as formas que atiram projéteis), há uma quantidade considerável de sistemas para descobrir.

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Entre uma run e outra, voltamos ao nosso QG (um shopping center abandonado) para conversar com um time de personagens de suporte, no mínimo, excêntrico. Depois que passamos um tempinho no shopping (indo para lá e para cá montados sobre um aspirador robô), é hora de ir ao banheiro, sentar no vaso e dar a descarga: este é o nosso “meio de transporte” para a próxima run.

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A pressão do cronômetro é outro elemento importante. Cada incursão tem tempo limitado, o que nos obriga a decidir se vale a pena enfrentar adversários opcionais, procurar recompensas ou avançar rapidamente — sem garantia de sucesso.

O fator roguelite

É aqui que Stupid Never Dies realmente se perde. A estrutura baseada em incursões, somada a um cronômetro implacável, nos obriga a explorar tudo muito rapidamente. Existe uma progressão constante e o jogo turbina os level ups depois das primeiras runs, mas, mesmo assim, a incômoda sensação de perda de tempo fazendo as mesmas coisas pesa bem cedo.

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Mesmo que o sistema de transformações ofereça alguma variedade mecânica — e o jogo alterne entre meia dúzia de biomas bem exóticos para não deixar cada reinício igual –, isso não é o suficiente para tornar cada nova incursão realmente diferente da anterior. Boa parte do tempo é dedicada a enfrentar grupos de inimigos semelhantes, repetir trechos de exploração e reunir recursos para comprar melhorias.

A estrutura também interfere no ritmo narrativo. A história tem situações absurdas e personagens interessantes, mas a progressão roguelite interrompe a aventura com frequência para nos levar de volta à base. O resultado é uma experiência que demora a encontrar seu ritmo — e, mesmo quando encontra, é vítima de um ciclo desinteressante.

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Stupid Never Dies tem personagens carismáticos e um universo interessante, e isso poderia render um jogo de ação acima da média, com situações criativas, uma história linear e uma progressão bem definida. As transformações, por exemplo, poderiam fomentar fases com level design pensado para elas, incentivando a exploração e oferecendo confrontos pensados para cada conjunto de habilidades.

Mas isso é o que eu queria que ele fosse, não o que ele é de fato. O Stupid Never Dies que existe de fato coloca muitas ideias interessantes na mesa, mas escolhe organizá-las em um formato que, além de saturado, enfraquece todas as partes que compõem o jogo.

Audiovisual

Se a estrutura roguelite é o maior problema, a apresentação é o grande trunfo de Stupid Never Dies. O game aposta em uma estética que mistura cultura pop, referências punk, desenhos rabiscados, cores intensas, colagens e intervenções gráficas que parecem saídas de um fanzine. É mais ou menos o que Lollipop Chaisaw fez, mas de forma mais rica e criativa.

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As cutscenes também brincam com diferentes estilos de animação, enquadramentos e recursos gráficos para reforçar o humor, transformando cada diálogo e encontro com chefe em uma situação absurda e cheia de identidade. Some isso a um character design inspirado, e o que temos é um jogo que claramente está se divertindo com a própria maluquice.

É verdade que nem todas as piadas funcionam (escrever comédia não é coisa fácil, e o jogo pesa a mão em tiradas de humor um tanto juvenil), mas sua disposição para abraçar o ridículo ajuda a diferenciar o jogo de tantas outras produções sisudas e sem personalidade. As dublagens complementam a proposta, com interpretações exageradas e divertidas.

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A trilha sonora conversa diretamente com o espírito punk/rebelde da aventura, e é outro ponto de destaque. O conjunto audiovisual de Stupid Never Dies demonstra um nível de cuidado e criatividade que, infelizmente, não foi aplicado à jogabilidade.

Conclusão

Stupid Never Dies é um jogo que deixa uma ótima primeira impressão por sua apresentação estilosa, seu humor absurdo e sua disposição de não se levar a sério. A possibilidade de devorar monstros, assumir diferentes formas e montar builds de habilidades bastante diferentes tem potencial, e a qualidade da direção de arte é difícil de ignorar.

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Infelizmente, a fórmula roguelite acaba afundando o jogo. A repetição das incursões, a necessidade de “grindar” com inimigos fracos e o ritmo irregular da jornada são problemas que fazem com que o jogo se torne maçante e sem inspiração. O resultado é um simulador de perda de tempo que só se salva pela apresentação.

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Stupid Never Dies é vítima de indústria que parece mais propensa a buscar jogos “infinitos” do que jogos bons com começo, meio e fim. Ele poderia ser um ótimo jogo de fases — ou talvez algo com uma estrutura de Dead Rising — mas como roguelite, ele é medíocre. Uma pena. Todo seu estilo e sua atitude mereciam uma experiência à altura.

Stupid Never Dies está disponível para PC e Playstation 5 (versão analisada). O jogo possui menus e legendas em português brasileiro.

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Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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