Análise Arkade – Call of Duty: Modern Warfare 4 tem a melhor campanha da fase reboot e conserta o que deu errado em Modern Warfare 3
Análise da campanha de Call of Duty: Modern Warfare 4, que melhora os problemas do antecessor com uma história mais envolvente e variada.
A campanha de Call of Duty: Modern Warfare 4 é a mais bem resolvida da série que foi reiniciada em 2019 e corrigiu, felizmente, boa parte dos problemas que deixaram Modern Warfare 3 com cara de jogo feito às pressas. O jogo, que está disponível desde 23 de outubro, tem versões para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.
Aqui, falaremos do jogo apenas em seu modo campanha, com mais conteúdo sobre o jogo chegando em breve. Ainda sobre o enredo, também já falamos sobre a doutrina militar da Coreia do Norte, que ajuda a entender muita coisa do enredo, além dos guardiões do líder norte-coreano, que são figuras importantes em uma missão do jogo. E, felizmente, desta vez a Infinity Ward voltou a dar uma atenção maior ao enredo, para valorizar um game que tem um multiplayer forte, mas que ainda pode valorizar o game ainda mais com uma campanha interessante.

A campanha tem 16 missões, que passam por Coreia do Sul, Coreia do Norte, Nova York, Paris e Mumbai, e a história corre em duas frentes paralelas. De um lado está o Soldado Park Hyun Jun, um soldado conscrito sul-coreano (um dentre tantos que são alistados obrigatoriamente no país) que vive o primeiro combate de verdade quando a Coreia do Norte invade o país no meio de sua patrulha de rotina, e que vê sua vida mudar drasticamente em uma noite. Do outro está o Capitão Price, foragido depois do desfecho de Modern Warfare 3, perseguido pela própria Task Force 141 enquanto tenta impedir que uma arma poderosa chegue ao Arqueiro, interpretado por Mads Mikkelsen. Quem nunca jogou os títulos anteriores consegue acompanhar, mas algumas cenas vão pesar mais para quem passou os últimos anos com esses personagens.
Apesar de ainda contar com Price e outros personagens da 141, o melhor da campanha está justamente na dramática guerra na península, vistas pelo olhar do jovem soldado. Park e o esquadrão Sierra-1 começam o jogo apavorados, ainda usando farda porque a lei manda, mas a convivência vai mudando isso aos poucos, com um literal batismo de fogo mudando suas vidas para sempre. Essa construção faz diferença quando as missões esquentam, porque você conhece o cara encostado na porta ao seu lado e se importa com o que vai acontecer com ele.

A tensão entre as duas Coreias e a tão temida nova guerra entre eles é o que movimenta o enredo principal: o jogo mostra personagens ligados ao regime norte-coreano usando de sua doutrina militar para iniciar os conflitos do game, e mesmo com todos os personagens fictícios, incluindo o grande líder norte-coreano e sua família, o game se inspirou na geopolítica atual para construir sua história.
Isso nos levará para as duas Coreias, em um ambiente de guerra total, onde lidamos com uma cidade inspirada em Seul com direito até a uma lojinha de conveniência CU, e um vilarejo norte-coreano com todas as propagandas e estátuas dos líderes do país, que acostumamos ver em imagens enviadas do país para o mundo. Mas, tensões à parte, jogo também tenta mostrar o ponto de vista do lado invasor e lembrar que há gente dos dois lados da fronteira, e não apenas uma ideia de “mocinhos e bandidos”, como os russos foram tratados pelo cinema em dias de Guerra Fria, e os árabes em seguida, durante a Guerra ao Terror. De qualquer forma, a ideia de uma nova guerra, tão sangrenta quanto as dos anos 50 mexeu com muitos, a ponto de um deputado sul-coreano usar o game para criticar a postura do atual presidente do seu país em relação aos programas de segurança para com seus vizinhos.

Já a campanha de Price funciona como contraponto. Ele age como lobo solitário, empurrado por vingança, em um “outro jogo”, que mais lembra um GoldenEye 007 bem mais violento do que um jogo de guerra. Independente disso, os fatos que guiaram Price do começo da série até este momento renderam a melhor atuação do capitão na série. O ponto mais interessante é que o jogo não romantiza essa jornada e nem faz questão de fazer ele ter cara de mocinho: conforme a caçada avança, as decisões dele ficam mais difíceis de defender, e algumas cenas obrigam o jogador a fazer escolhas desconfortáveis.
A principal novidade mecânica dessa parte é o sistema de combate corpo a corpo reformulado, com ataques, bloqueios, defesas com contra-ataque e finalizações. A missão Out in the Cold funciona como tutorial, já que Price começa desarmado, e depois o sistema reaparece em momentos como a briga numa boate em Nova York, em que o jogador avança por salas e bastidores só com uma pistola. Quando o timing dá certo, o contra-ataque é satisfatório. É uma mecânica interessante e bem-vinda, mas que merece ser melhor lapidada, pois o resultado são combates brutais, mas em um jeito de brigar meio robótico ainda. Há ainda sequências num pátio de trens em movimento, em que dá para subir, passar por baixo e até andar em cima das locomotivas enquanto o tiroteio acontece.

Voltando à Coreia do Norte, o jogo ganhou até um mini-Far Cry, que se chama Stranded e é a única de mundo aberto da campanha. Ela joga os sobreviventes do Sierra-1 num mapa nevado da Coreia do Norte, com patrulhas, veículos, bases inimigas para tomar, caixas de suprimento trancadas atrás de quebra-cabeças e melhorias de equipamento para comprar num ponto de apoio. Diferentemente das Open Combat Missions de Modern Warfare 3, que usavam mapas reaproveitados de Warzone, aqui o território foi feito sob medida para essa missão, e a diferença aparece no cuidado com os detalhes. O progresso é salvo separado do resto da campanha, então dá para voltar depois e terminar o que ficou pendente. Quem não quiser explorar pode ir de viagem rápida direto aos objetivos principais e resolver tudo em cerca de meia hora a uma hora, mas quem gosta de explorar, talvez vai até se esquecer que é preciso dar sequência na campanha.
No resto da campanha, o que segura o interesse é a variedade das missões com os soldados. Há um assalto à praia com cara de “Dia D” coreano, além de defesa de posições, uma invasão em larga escala com trincheiras e tanques, uma fase de furtividade com visão noturna e silenciador, e uma sequência em que o jogador conduz um tanque. Também há um trecho em que você troca de soldado em tempo real para segurar uma tropa enorme inimiga em três pontos diferentes. A sensação de retirada vem da frente de batalha em colapso e da sobrevivência atrás das linhas inimigas, que sustentam boa parte do primeiro terço do jogo e voltam em Stranded. Nada disso reinventa a fórmula, mas o ritmo quase não cai, e a campanha, que dura entre seis e oito horas, se você não ficar passeando pela Coreia do Norte do game, é suficiente para agradar quem viu uma campanha apressada e sem sal como a do jogo anterior.

A comparação com Modern Warfare 3 é inevitável, e aqui o novo jogo sai bem na foto. A campanha de 2023 durava cerca de quatro horas e usava missões abertas recicladas, o que passava a impressão de jogo feito às pressas. Em Modern Warfare 4 há começo, meio e fim, personagens que ganham desfecho e uma narrativa dividida em duas linhas (além de sub-temas que ampliam os personagens e seus interesses) que, mesmo sem se amarrarem perfeitamente, dão peso emocional ao conjunto.
Modern Warfare 3 fica ainda mais complicado de se defender, com o que a sua sequência apresentou. Em Paris, por exemplo, há uma perseguição frenética que poderia ter sido incluindo no jogo anterior, e como o MW3 conseguiu desperdiçar até uma missão tão impressionante quanto a No Russian, podemos ver que o capricho com o modo história de MW4 foi uma resposta positiva às críticas de 2023.
No geral, Call of Duty: Modern Warfare 4 é uma campanha curta para os padrões atuais, mas intensa e com mais personalidade do que a franquia mostrou nos últimos anos. É o mais perto de um Call of Duty Modern Warfare do passado que a nova série alcançou, em termos narrativos. Para quem estava com o pé atrás depois dos últimos lançamentos, vale dar uma chance, e para quem acompanha Price e a Task Force 141 desde 2019, você terá o fechamento que a série estava devendo.
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Call of Duty 4: Modern Warfare
Ficha do jogo- Plataformas
- PlayStation, Xbox, Nintendo, PC, Retrô




