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Análise Arkade: Nobody Saves the World, um RPG divertido, mas repetitivo

Nobody Saves the World é o novo jogo dos criadores da série Guacamelee, um mix de RPG com dungeon crawler onde você se transforma no que quiser!

Rodrigo Pscheidt

Esta matéria é de 2022 e pode estar desatualizada.

Análise Arkade: Nobody Saves the World, um RPG divertido, mas repetitivo

Esta semana, foi lançado Nobody Saves the World, novo game de um estúdio que eu gosto muito — o Drinkbox Studios, criador da fantástica série Guacamelee! Só que, desta vez, não estamos diante de um MetroidVania, mas de um RPG com elementos de dungeon crawler. Como o estúdio se saiu explorando um novo gênero? Vamos descobrir agora!

Ninguém salva o mundo

Como quase todo RPG que se preza Nobody Saves the World nos apresenta a um mundo fantástico que precisa ser salvo. Há uma Calamidade se alastrando pelo mundo do jogo, consumindo as pessoas e transformando-as em monstros mutantes.

Há um mago, Nostragamus, que costuma manter essa Calamidade sob controle… mas, é claro que ele está desaparecido. Quando nosso protagonista, Ninguém, encontra a varinha de Nostramagus, herda seus poderes mágicos — e a missão de salvar o mundo da Calamidade, claro.

Análise Arkade: Nobody Saves the World, um RPG divertido, mas repetitivo (imagem 2)

O mundo, aliás, é povoado por diversos personagens pitorescos. Tem uma vibe meio Zelda, mas com aquele tom de tiração de sarro e zoeira que a Drinkbox sabe colocar em seus jogos. Acho que falta um pouco de personalidade ao mundo em si e a alguns NPCs: no geral, o que temos aqui é um mundo de fantasia interessante, mas que não se destaca.

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Seja quem você quiser

Em Nobody Saves the World, assumimos o controle de, literalmente, Ninguém, um personagem branco que é a descrição perfeita do “avatar genérico” dos videogames: uma folha em branco que pode se transformar no que o jogador quiser.

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E quando digo “se transformar” é na prática, mesmo: a varinha de Nostragamus dá ao protagonista a habilidade de se transformar em praticamente qualquer coisa. Ou seja, podemos nos transformar em diversos tipos de guerreiros, animais e criaturas, e cada um deles têm suas próprias habilidades e funções ao longo da aventura.

O rato, por exemplo, é nossa primeira transformação. Ele pode atacar com mordidas venenosas e, por ser pequeno, também pode se enfiar em passagens apertadas e descobrir áreas secretas. Já o cavalo aumenta consideravelmente nossa velocidade de locomoção, e como seu ataque principal é o coice, precisamos estar “de costas” para os inimigos na hora de atacar.

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Cada forma que assumimos começa no nível F. Conforme cumprimos missões e acumulamos experiência, elas vão subindo para os níveis D, C, B, A e S. Subir de nível com uma transformação geralmente nos concede acesso à outra: a árvore de habilidades, neste caso, é uma árvore de transformações — conforme evoluímos, ganhamos acesso a novas formas.

As missões, em geral, são coisas bem típicas de RPGs, mas cada uma de nossas formas têm suas próprias missões, além dos objetivos maiores e missões de história, que podem ser cumpridos independente da forma que estivermos usando. Ou seja, evoluir cada transformação exige um bocado de grinding… e é aí que as coisas começam a desandar em Nobody Saves the World.

Grinding e repetição

Sob muitos aspectos, Nobody Saves the World parece uma versão light, bonitinha e zoeira de Diablo: temos um mundo principal para explorar, mas o grosso das missões ocorre dentro de dungeons (e semi-dungeons), áreas fechadas, repletas de inimigos e geradas proceduralmente.

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Em Diablo, porém, o que nos impele a continuar jogando é o loot: a busca pelo melhor equipamento, pela arma mais poderosa. A próxima recompensa é o que nos motiva. Quando este elemento é retirado da fórmula o que sobra é… repetição, sem uma recompensa que faça o esforço valer a pena.

Nobody Saves the World traz mais de uma dezena de transformações, mas, ainda que as habilidades de cada uma sejam únicas, mecanicamente tudo é bem parecido, e o gameplay é bastante simples, sem profundidade. Há formas que atacam de perto, outras de longe, e até aquelas focadas em causar status negativos nos inimigos. Os poderes podem até ser diferentes, mas a forma com que controlamos cada variação não muda muito. O feeling de jogar com uma sereia é quase o mesmo de jogar com o cavalo.

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As missões que devemos cumprir com cada uma de nossas formas são bastante genéricas, coisas do tipo “ataque x inimigos com sua arma” ou “recupere x de mana” ou “cause determinado status negativo x vezes”. Quando somamos este tipo de missão às dungeons procedurais repletas de inimigos iguais, fica bem claro que há um loop de gameplay bastante repetitivo em ação.

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Isso não seria um grande problema se o jogo fosse curto, mas Nobody Saves the World passa das 15 horas, e fica chato bem antes disso. Seu combate é simples demais, formulaico demais — e acontece com frequência demais, contra inimigos demais.

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Para piorar, o jogo faz uma das coisas que mais me irrita em videogames: força o jogador a cumprir os mesmos objetivos de novo e de novo para liberar o caminho. Há dungeons com portas trancadas, que só são liberadas depois que você mata x inimigos. Há áreas do mundo que você só pode acessar depois que acumula x estrelas. E as estrelas estão atreladas ao cumprimento das missões, ou seja, o jogador é meio que obrigado a cumprir missões genéricas e repetitivas — do contrário, fica impedido de prosseguir.

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Para essa porta abrir, é preciso derrotar 63 inimigos…

Sei que isso talvez não seja um incômodo real para muitos jogadores, mas quanto mais velho eu fico, mais quero que o tempo que eu invisto em um jogo seja proveitoso, recompensador. E quando um jogo não só é repetitivo, mas ainda impõe barreiras arbitrárias que limitam meu progresso, isso realmente tira todo meu tes*o por ele.

Audiovisual

Aqui está algo que não há do reclamar: Nobody Saves the World é um jogo muito bem resolvido esteticamente, e seu visual cartunesco tem uma vibe meio “clássicos da Nickelodeon” que muito me agrada. É uma estética diferente da que vimos em Guacamelee, mas esbanja estilo e carisma. Mesmo sendo 2D, o jogo traz efeitos de iluminação bastante realistas, o que concede um charme extra às paisagens.

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Se o design dos inimigos tende a ser repetitivo, as diversas formas que podemos assumir não poderiam ser mais diferentes uma da outra: podemos virar rato, ovo, cavalo, mago, robô, arqueiro, sereia, dragão… é uma mais interessante do que a outra — ainda que, como já dito, não haja uma grande variação mecânica entre elas.

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A trilha sonora é caprichada e muito coerente com a proposta, ajudando o jogador a entrar no clima da aventura enquanto explora castelos, pântanos e masmorras. Os efeitos sonoros da ação também contribuem com a imersão.

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Por fim, não podemos deixar de mencionar o excelente trabalho de localização que foi feito em Nobody Saves the World. O jogo não possui vozes, mas todos os menus, legendas e diálogos foram não só traduzidos, mas também (muito bem) adaptados para a nossa língua. Este é um ótimo diferencial, se considerarmos o tanto de piadinhas e humor referencial que temos aqui.

Conclusão

Nobody Saves the World é mais um daqueles jogos que eu queria muito ter gostado… mas ele simplesmente não “clicou” comigo. Justamente por ser fã da Drinkbox, eu já estava disposto a gostar… mas quanto mais eu jogava, mais ele me parecia cansativo e genérico. É bonito, funcional e simpático… mas também é chato.

(Que fique claro que minha opinião não é verdade absoluta: há muitos reviews elogiando Nobody Saves the World por aí. Afinal, análises críticas não são imparciais. Uns gostam, outros não, vai da bagagem de cada um.)

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Guacamelee 2 é um MetroidVania quase perfeito na minha opinião — e também gosto muito da criatividade e da estranheza de Severed. São jogos completamente diferentes um do outro, mas ambos têm suas qualidades. Nobody Saves the World, por sua vez, não se destaca — talvez porque Zelda e Diablo já fazem quase tudo o que ele tenta fazer (e fazem melhor).

Assim, saio com um gosto meio amargo na boca, e torcendo para que a Drinkbox volte a fazer MetroidVanias. Nada contra RPGs, mas na minha opinião, eles são bons mesmo é nos jogos de exploração e pancadaria 2D — especialmente naqueles que são calientes como um bom chili mexicano.

Nobody Saves the World está disponível para PC, Xbox One e Xbox Series X|S. O game lançou direto no Game Pass, ou seja, quem é assinante pode dar uma chance ao game sem pagar nada além da assinatura.

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Nobody Saves the World

Ficha do jogo
Plataformas
PlayStation, Xbox, Nintendo, PC
Lançamento
18 de janeiro de 2022
Desenvolvedora
Drinkbox Studios
Publicadora
Drinkbox Studios
Gênero
RPG eletrônico de ação e dungeon
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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