Associação da Indústria de Games dos EUA entrou em guerra contra os portáteis retrô com jogos pré-instalados, pedindo medidas do governo
A ESA pediu ao governo dos EUA medidas contra portáteis retrô com jogos piratas pré-instalados e citou a Anbernic.
A ESA, associação que representa a indústria de games nos Estados Unidos, pediu ao governo americano que inclua portáteis retrô com jogos piratas pré-instalados na lista anual de mercados notórios, e citou a Anbernic pelo nome. A informação é do VGC, que abordou de forma mais profunda desta situação.
A Entertainment Software Association (ESA) mandou o pedido ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), responsável pela Notorious Markets List, a lista anual de mercados online e físicos acusados de promover ou facilitar pirataria e falsificação. Todo ano, empresas e entidades podem indicar nomes para entrar no relatório, e as que já estão nele aproveitam para defender a retirada. Segundo o VGC, o USTR tinha recebido cerca de 30 respostas até agora.
Por que a ESA chama os portáteis de “superfakes”
No documento, a ESA coloca os consoles “plug and play” e os portáteis de emulação, aqueles que vêm com milhares de jogos retrô, na mesma categoria dos superfakes, termo usado para falsificações de luxo tão bem-feitas que enganam o comprador, como bolsas, roupas e relógios.
O argumento é que esses aparelhos têm carcaça moldada, tela colorida, interface bem acabada, caixa de varejo, avaliações e até algo parecido com garantia, e ainda aparecem em e-commerces conhecidos. Só que, na visão da entidade, o que vende o produto é um cartão de memória ou uma unidade interna com centenas, milhares ou até dezenas de milhares de cópias não autorizadas de jogos protegidos por direitos autorais. Alguns anúncios usam ainda títulos, capturas de tela, personagens e logotipos de jogos sem permissão.
A ESA também diz que o aparência de produto legítimo agrava o prejuízo. Um único aparelho pode substituir compras em várias publicadoras e gerações de consoles, de jogos avulsos a coletâneas, remasters, assinaturas e hardware retrô licenciado. Como o catálogo vem pronto, o consumidor comum não precisa entender de emulação ou caçar ROMs, e os vendedores costumam usar a biblioteca pirata como principal atrativo, o que se reflete no preço.
Anbernic é indicada como “Notorious Online Market”
O ponto que mais chama atenção é a indicação direta da Anbernic. A ESA afirma que os aparelhos da fabricante são oferecidos ou enviados, com frequência, com cartões microSD removíveis carregados com centenas ou milhares de cópias não autorizadas de jogos de membros da associação. Para a entidade, vender isso em canais comuns de varejo normaliza a pirataria feita por hardware e empurra para publicadoras e marketplaces o custo de monitorar, investigar, notificar e resolver o problema.
O VGC observa ainda que esses portáteis não ficam restritos a revendedores e marketplaces de importação, já que uma ampla seleção também pode ser comprada na Amazon, o que reforça a impressão de legitimidade.
O que a ESA quer que o USTR peça aos governos e plataformas
A associação listou sete medidas, em resumo:
- tratar bibliotecas de jogos não autorizados pré-instaladas como prova central de pirataria em escala comercial;
- inspecionar mídias de armazenamento enviadas junto com o aparelho ou separadamente;
- exigir que os vendedores comprovem ter autorização para os jogos e para as marcas protegidas;
- suspender vendedores reincidentes e lojas ligadas a eles, e não só anúncios isolados;
- guardar registros de vendedores, pagamentos, remessas e publicidade para fins de fiscalização;
- melhorar a triagem alfandegária de aparelhos e componentes associados à pré-instalação;
- agir de forma coordenada contra fabricantes, exportadores, importadores, empresas de logística e marketplaces que facilitem esses produtos sabendo do que se trata.
Outras indicações no relatório
A ESA também sugeriu incluir na lista de 2026 categorias como fontes de jogos crackeados, repackers e sites de links, mercados de coordenação de torrents, lojas de bens digitais não autorizados e mercados comerciais de cheats. No fim, pede que o USTR incentive governos, operadores de mercado, provedores de hospedagem e infraestrutura, registradores de domínio, serviços de pagamento e de publicidade e plataformas de e-commerce a agirem de forma contínua. Entre as ações possíveis estão investigação e processo contra operadores comerciais, suspensão de contas, corte de receita e infraestrutura dentro da lei, fiscalização em alfândegas e respostas rápidas às notificações dos detentores de direitos.
O que isso muda para quem compra um portátil retrô
Por enquanto, nada muda na prática: é um pedido da indústria, e a lista final do USTR ainda precisa ser publicada, com a decisão sobre quem entra ou fica de fora. Mesmo assim, o recado é claro para quem acompanha o mercado de portáteis de emulação. A ESA deixou de olhar só para sites de ROMs e passou a mirar o próprio aparelho vendido com os jogos já instalados, e isso coloca fabricantes, revendedores e grandes lojas online na linha de frente de uma eventual pressão do governo americano.
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