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Quem são os guardiões do líder da Coreia do Norte em Call of Duty: Modern Warfare 4 e o que existe de real por trás deles

Entenda quem são os guardiões de Call of Duty: Modern Warfare 4 e como eles se inspiram no comando que protege a família Kim.

Junior Candido
Quem são os guardiões do líder da Coreia do Norte em Call of Duty: Modern Warfare 4 e o que existe de real por trás deles

Os guarda-costas que cercam o líder supremo na missão Assassinos, de Call of Duty: Modern Warfare 4, são personagens fictícios, mas o modelo vem de uma estrutura que existe de verdade: o Comando de Guarda da Coreia do Norte (Supreme Guard Command, ou Ho-wi Sa-ryeong-bu, no original coreano), que analistas estimam em cerca de 100 mil pessoas, cuja tarefa principal é proteger a família Kim e, de quebra, ficar de olho na própria elite do regime.

Como a Coreia do Norte é um país fechado e o novo Call of Duty explorou muito de como o país é, tanto em sua geografia como em sua política, este texto explica essa ligação para quem está jogando e quer saber mais, ou para quem apenas está curioso, com o nosso compromisso de não revelar nenhum acontecimento sensível da história do jogo.

Quem são os guardiões na missão Assassinos

Quem são os guardiões do líder da Coreia do Norte em Call of Duty: Modern Warfare 4 e o que existe de real por trás deles (imagem 2)

Assassinos é a oitava das 16 missões da campanha de Modern Warfare 4, lançado em 23 de outubro de 2026 pela Activision, com desenvolvimento da Infinity Ward. O que podemos falar da missão, sem estragar a experiência de ninguém, é o seu resumo, que fala em agressores vindos de dentro do regime tentando derrubar o novo Líder Supremo, e com o jogador assumindo justamente o papel dele, Ri Seung-ho, personagem fictício que acaba de herdar o cargo do pai e se tornando a liderança. E de acordo com o resumo da missão, você é o alvo da vez.

A missão acontece nos corredores do palácio, ao lado de dois guarda-costas, Shin e Jang. A instrução principal é ficar colado neles e imitar o que fazem, enquanto a rota, o ritmo e a hora de correr ficam por conta das orientações dos guardas. Shin entende que a prioridade é chegar ao bunker em uma proteção que vem misturada com um senso de dever: os dois agem como quem não separa a vida do líder da continuidade do Estado.

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O game não trata os dois agentes, Shin e Jang, como membros do Comando de Guarda. Entretanto, seus trajes, seus comportamentos, forma de agir e até suas alturas são muito parecidas com as informações que temos sobre este órgão de proteção. E mesmo sem ter um nome oficial, se encaixam muito bem em um contexto de agentes de elite prontos para defender o grande líder do país com a própria vida.

O órgão que serve de modelo na vida real

O North Korea Leadership Watch, projeto que acompanha a estrutura de poder do país, descreve o Guard Command (também chamado de General Guard Bureau) como responsável pela segurança e pelo bem-estar do líder, da família dele e de altos dirigentes, numa missão comparável à do Serviço Secreto dos Estados Unidos. A sede fica no distrito de Moranbong, em Pyongyang, e o órgão responde diretamente ao líder norte-coreano.

Eles não são guarda-costas comuns, no sentido de agirem apenas para proteção da liderança norte-coreana em aparições públicas ou no dia-a-dia: o mesmo levantamento afirma que o Comando mantém unidades que investigam e vigiam dirigentes do partido e das Forças Armadas. Assim, quem protege o líder e convive de forma próxima a ele também fiscaliza ameaças em potencial, até dentro da própria cúpula de poder.

O círculo mais próximo, conforme as observações mais confiáveis, é o Escritório 6 do Partido, chamado em algumas reportagens de Main Office of Adjutants, que acompanha Kim Jong Un nas aparições públicas. O NK Leadership Watch registra que, por volta de 2019, esse escritório saiu do Departamento de Organização e Orientação e passou a responder diretamente ao líder, enquanto parte do antigo 1º Departamento do Comando de Guarda virou o Departamento de Guarda. Em janeiro de 2026, o Ministério da Unificação da Coreia do Sul informou que Pyongyang trocou, nos últimos anos, os chefes de três unidades que cuidam da segurança de Kim, entre elas o Comando de Guarda.

Como alguém consegue se tornar o guarda-costas do líder

O relato mais detalhado sobre este assunto vem de Lee Young-guk, ex-guarda-costas de Kim Jong Il que fugiu do país e contou sua história à revista Time, em 2002. Aos 17 anos, ele foi escolhido por recrutadores que visitaram sua escola e o destacaram numa fila de mil alunos, em parte por ser mais forte que os colegas. A família passou por uma investigação minuciosa, que alcançou até primos distantes em busca de qualquer sinal de falta de confiabilidade política, e cicatrizes no rosto eram motivo de eliminação.

A Coreia do Norte trabalha, de acordo com várias fontes, com o Songbun, um sistema social que aproxima famílias leais ao regime (em especial nas revoluções que deram origem ao país e na Guerra da Coreia) e afasta pessoas que não vivem os valores do regime de forma intensa. O governo do país rejeita categoricamente esta política, negando qualquer menção a esta política. A explicação oficial é a de que a “igualdade é o princípio fundamental” da sociedade e que as leis do país garantem explicitamente a não discriminação.

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Depois vieram seis meses de treino na sede da guarda pessoal, ao lado de outros 120 recrutas. Os registros da família foram retirados dos arquivos do governo, e Lee passou a existir apenas como um número de identificação, sem contato com parentes: os pais dele ficaram 11 anos sem saber se o filho estava vivo. O treinamento incluía taekwondo, marchas de 25 km com equipamento de combate completo e tiro, com a exigência de acertar alvos em movimento a 250 metros depois de correr usando traje contra armas químicas e máscara de gás. Ele chegou ao grupo de elite de cerca de 200 guarda-costas e conheceu o líder em 1º de janeiro de 1979, depois de ter sido ensinado a ver Kim Jong Il como um deus vivo, conforme suas próprias palavras.

Vale a ressalva de que o testemunho descreve o sistema entre as décadas de 1970 e 1980, sob outro contexto político, interno e externo, e outro líder. Assim, estas declarações servem como retrato histórico do modelo de formação, e não como uma descrição exata do dia a dia atual da guarda.

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Os homens que correm ao lado do carro

Em vídeos divulgados de Kim Jong Un pela mídia estatal é fácil ver esse grupo em ação: em abril de 2018, na reunião intercoreana, em junho do mesmo ano, em Singapura, e em fevereiro de 2019, em Hanói, um grupo de 12 homens de terno preto, gravata listrada e crachá na lapela correu junto da limusine do líder, cercando o veículo como uma barreira viva. Reportagens que ouviram especialistas dizem que para atingir este posto, eles são escolhidos por condicionamento físico, pontaria, artes marciais e até aparência.

O analista Mark Briskey, do Lowy Institute, escreveu em 2018 que esses homens costumam ter altura parecida com a do líder, passam por checagens de segurança rigorosas, são treinados para servir de escudo humano em último caso e não têm a opção de recusar o serviço. Ele também levanta a possibilidade de que alguns sejam parentes da família Kim, e lembra que não dá para saber o grau de liberdade pessoal que esses homens realmente têm. Para Briskey, o tipo de devoção esperado ali se parece mais com fervor religioso do que com o profissionalismo de agências como o Serviço Secreto americano.

Lealdade que faz parte do regulamento

Quem são os guardiões do líder da Coreia do Norte em Call of Duty: Modern Warfare 4 e o que existe de real por trás deles (imagem 5)

Se Shin e Jang parecem tratar a vida do líder como a razão de existir, isso tem base documental. Os Dez Princípios para o Estabelecimento do Sistema de Ideologia Única foram anunciados por Kim Jong Il em 1974, têm dez princípios e 65 subcláusulas e precisam ser decorados por todos os norte-coreanos, segundo o Daily NK. O veículo sul-coreano avalia que o texto pesa mais no dia a dia do país do que a Constituição socialista e as regras do próprio partido.

Em 2013, o documento foi revisado pela primeira vez em 39 anos, e a Asia Press publicou imagens de uma cópia retirada do país por meio da Free North Korea Radio. O artigo 3 dessa versão manda tornar absoluta a autoridade dos líderes e defendê-la até a morte. Para uma guarda pessoal treinada desde a adolescência, essa linha em específico deixa de ser um simples slogan e vira a real descrição de cargo.

Por que a guarda também olha para dentro

O jogo parte de uma ameaça que nasce dentro do aparato do poder, e esse ponto tem paralelo real. Segundo o NK Leadership Watch, depois da morte de Kim Il Sung, em 1994, Kim Jong Il reformulou o Comando de Guarda, demitiu dezenas de oficiais e ampliou a própria escolta em 200 integrantes, criando a chamada Unidade 2.16. As mudanças vieram como resposta a várias tentativas de golpe registradas no fim dos anos 1980 e nos anos 1990, perto de sua ascensão.

Uma descrição do Committee for Human Rights in North Korea, reproduzida pelo site The War Zone, diz que parte do Comando tem como missão impedir um golpe em questão de minutos, tomando e segurando instalações estratégicas de comando, controle e informação. De forma resumida, a guarda protege o líder e, ao mesmo tempo, funciona como seguro do próprio regime. É essa dupla função que torna crível, dentro da lore de Modern Warfare 4, uma missão em que a proteção do líder e o perigo interno aparecem lado a lado.

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Onde a ficção encontra a realidade

Quem são os guardiões do líder da Coreia do Norte em Call of Duty: Modern Warfare 4 e o que existe de real por trás deles (imagem 4)

A Infinity Ward confirmou em maio de 2026 que Kim Jong Un não será o grande antagonista do jogo, e a campanha usaria uma família fictícia, os Ri, no lugar dos Kim. O estúdio disse ter conversado com consultores, especialistas militares e pessoas ligadas à Coreia para dar mais realismo à história. O resultado deste trabalho foi um regime fictício, mas montado com elementos reais: a guarda pessoal, o bunker, a lealdade como dever e a desconfiança de quem está por perto.

Quando chegar a Assassinos, vale prestar atenção em quem avalia e decide a rota segura, em como Shin e Jang falam com o líder e em suas prioridades na missão de proteção. Com o contexto acima, esses detalhes deixam de ser cenário e passam a refletir uma lógica que existe fora do jogo.

Fontes Consultadas

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Junior Candido

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