Deputado sul-coreano usa Call of Duty Modern Warfare 4 e a invasão da Seul do game para criticar a postura do governo em relação à Coreia do Norte
Deputado sul-coreano usa Call of Duty: Modern Warfare 4 para criticar a política de segurança do governo diante da Coreia do Norte.
Call of Duty: Modern Warfare 4, lançado em 23 de outubro, entrou no debate político sul-coreano. O deputado sem partido Han Dong-hoon usou o jogo, que começa com uma invasão norte-coreana a fictícia cidade de Hajin City, que foi fortemente inspirada em Seul, para criticar a política de segurança do presidente Lee Jae Myung e sugeriu que ele jogue a campanha. É o que informa o Maeil Business Newspaper (MK).
O jogo se passa em um cenário hipotético em que a Coreia do Norte, com apoio da Rússia e a complexa rede de tramas que segue o game desde o primeiro capítulo, invade o Sul. O MK cita entre as cenas que mais chamaram atenção o expurgo político em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, uma cidade sul-coreana queimada por ataques aéreos e o ataque do palácio presidencial norte-coreano pela coalizão entre Coreia do Sul e Estados Unidos.
Em publicação no Facebook no dia 23, Han lembrou que o jogo abre com o centro da fictícia cidade baseada em Seul virando campo de batalha e fez questão de dizer que a história é fictícia. Em seguida, trouxe a conversa, em tom de reflexão, para o mundo real: a invasão de 25 de junho de 1950 aconteceu de verdade, segundo ele, e as ameaças militares de Pyongyang continuam atuais. Assim, usando a ficção para lembrar da realidade, ele questionou se o país está “preparado” caso algo dessa gravidade acontecesse de novo na península.
Daí ele passou às críticas ao governo. Han apontou que Lee descreveu o arsenal nuclear norte-coreano como a “última arma defensiva” do país, mas ele lembrou que a Coreia do Norte aprovou uma lei sobre a possibilidade de uso preventivo de armas nucleares. Também questionou a redução dos treinamentos militares conjuntos com os Estados Unidos e disse que a transferência do controle operacional em tempos de guerra, a OPCON, está sendo feita de forma apressada, sem verificação suficiente.
A transferência do Controle Operacional em Tempo de Guerra (OPCON, do inglês Operational Control) é o processo pelo qual os Estados Unidos planejam devolver à Coreia do Sul o comando de suas próprias tropas militares em caso de um novo conflito armado na península. Atualmente, a Coreia do Sul tem o controle em tempos de paz, mas os “tempos de guerra” seguem com os EUA. O problema que o deputado critica é que está transição estaria sendo feita de forma apressada, pensada mais em fatores políticos do que militares.
Para fechar, escreveu que a paz não se mantém com esperança vaga na boa vontade do outro lado e que a paz depende do preparo a partir do pior cenário. Ele disse torcer para que o cenário de Seul destruída fique restrito ao universo virtual e recomendou o jogo ao presidente: segurança, nas palavras dele, não é “esperança”, é “preparação”.
Modern Warfare 4 foi desenvolvido pela Infinity Ward e escolheu as tensões da Península Coreana como cenário central da campanha, o que já rendia debate antes do lançamento. Agora o jogo aparece também em discussões sobre política de defesa de um dos países diretamente envolvidos no conflito fictício da trama, algo raro para um lançamento de tiro em primeira pessoa.
Tecnicamente, as duas Coreias seguem em guerra mesmo com o fim das hostilidades que resultou na divisão da península, em 1953. Foi assinado um armistício, para terminar os combates da conhecida Guerra da Coreia, mas um acordo de paz nunca foi estabelecido entre as duas nações. Por isso, até hoje, ambas as nações vivem com a sombra da ameaça de seus vizinhos, tema este explorado pelo enredo do novo Call of Duty.
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Call of Duty 4: Modern Warfare
Ficha do jogo- Plataformas
- PlayStation, Xbox, Nintendo, PC, Retrô




