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Fórmula 1 – Dez anos depois, o GP do Azerbaijão já tem muita história para contar

Relembre os acidentes, reviravoltas e momentos marcantes que fizeram do GP do Azerbaijão um dos mais imprevisíveis da Fórmula 1.

Junior Candido
Fórmula 1 – Dez anos depois, o GP do Azerbaijão já tem muita história para contar

O Grande Prêmio do Azerbaijão completa dez edições em 2026, e a pista de rua de Baku construiu, nesse período curto, uma reputação que poucos traçados no calendário da Fórmula 1 conseguem igualar: a de terreno fértil para acidentes bizarros, decisões questionáveis e reviravoltas de última hora. Entre muros estreitos, retas longuíssimas e uma curva 8 que já castigou pilotos de ponta, o circuito de rua no Mar Cáspio virou sinônimo de imprevisibilidade, e vale relembrar por que isso aconteceu.

A estreia, em 2016, foi surpreendentemente tranquila, com o grid adotando uma postura cautelosa depois do caos visto nas categorias de acesso durante o fim de semana. Só que em 2017 o roteiro mudou de figura. Numa retomada após Safety Car, Sebastian Vettel tocou de leve na traseira do Mercedes de Lewis Hamilton, convencido de que o rival havia freado de propósito para irritá-lo. O alemão então se emparelhou e bateu deliberadamente no carro do britânico, atitude que rendeu um stop-and-go da direção de prova e praticamente tirou Vettel da briga pela vitória — enquanto Hamilton ainda enfrentava um problema no apoio de cabeça que exigiu um pit stop extra. Anos depois, já com a relação dos dois mais amistosa, Vettel reconheceu o exagero daquele dia.

Foi justamente naquela corrida caótica que Daniel Ricciardo brilhou. Depois de largar em décimo por causa de um erro na classificação e ainda sofrer com detritos nos freios logo no início, o australiano fez uma ultrapassagem de doses múltiplas na retomada, passando ao mesmo tempo os carros de Felipe Massa e Nico Hulkenberg antes de frear por fora sobre Lance Stroll. O resultado das confusões alheias somado ao próprio talento colocou Ricciardo na liderança, que ele não largou mais até a bandeirada.

O ano seguinte, 2018, praticamente resumiu tudo o que Baku pode oferecer numa única corrida. A Red Bull vivia a disputa interna entre Ricciardo e Max Verstappen pela quarta posição, com direito a toques de rodas na saída da curva 1 e sucessivas trocas de posição — até que, na tentativa final de ultrapassagem, Ricciardo bateu na traseira do companheiro e tirou os dois da prova. No mesmo GP, Romain Grosjean protagonizou um dos momentos mais folclóricos da história recente da categoria: bateu sozinho no muro atrás do Safety Car, e seu engenheiro chegou a perguntar ao vivo se o sueco Marcus Ericsson havia batido nele. A explicação real era mais prosaica — Grosjean esbarrou sem querer num botão que alterou o balanço de freios do carro, travando as rodas traseiras. E o drama daquele domingo ainda reservou um capítulo cruel para Valtteri Bottas: líder tranquilo faltando poucas voltas para o fim, ele teve o pneu traseiro direito estourar na volta 49 de 51, entregando de bandeja a vitória a Hamilton.

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Em 2019 foi a vez de Charles Leclerc entrar para os anais de Baku, embora por um motivo bem menos glorioso. Na época ainda em sua segunda temporada e correndo por uma primeira vitória, o monegasco bateu na tentativa de melhorar o tempo no Q2 e soltou pelo rádio um desabafo que ficou famoso: “Sou burro… sou burro”. Ironicamente, Leclerc voltaria a dominar a classificação em Baku nos anos seguintes — conquistou a pole em 2021, 2022, 2023 e 2024 —, mas o triunfo na corrida em si segue sendo a única lacuna relevante em seu retrospecto na pista.

2021 trouxe outro golpe duro, desta vez para Verstappen. Já liderando com folga e prestes a fechar um 1-2 da Red Bull, o holandês sofreu um estouro de pneu em alta velocidade na reta dos boxes e bateu com violência no muro, escapando ileso mas visivelmente furioso — chegou a chutar o pneu destruído ao se afastar do carro. Foi o segundo estouro daquela corrida, já que Lance Stroll havia sofrido um acidente parecido pouco antes. A saída de Verstappen abriu caminho para Hamilton, só que o britânico também tropeçou: na retomada após bandeira vermelha, largando atrás de Sergio Pérez, travou o pneu dianteiro esquerdo na curva 1 e foi disparado até a zona de escape, caindo para a última posição. O próprio piloto explicou depois que havia mexido sem querer no balanceamento de freios do volante.

Sergio Pérez, aliás, tem uma relação e tanto com Baku — venceu em 2021 e 2023 (essa última com Sprint incluída) depois de já ter subido ao pódio em 2016 e 2018 pela Force India. Mas o circuito também lhe reservou momentos amargos, como o choque contra Esteban Ocon em 2017 e, mais recentemente, a batida com Carlos Sainz em 2024: os dois travaram uma disputa estranha lado a lado na reta e simplesmente se tocaram, tirando ambos da prova quando lutavam por posições de pódio.

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A edição de 2025 resumiu bem por que Baku exige tanto dos pilotos: os retões enormes dificultam colocar pneus e freios na janela ideal de temperatura, e a proximidade dos muros deixa margem de erro quase nula. O resultado foi uma classificação com nada menos que seis bandeiras vermelhas — Alex Albon, Nico Hulkenberg e Franco Colapinto pararam a sessão no Q1, Oliver Bearman no Q2, e Leclerc e Oscar Piastri bateram no Q3, encerrando a sequência de poles do monegasco na pista e abrindo um fim de semana desastroso para o australiano, que saiu da prova já na sexta curva.

Dez anos depois, e prestes a mais um GP no país, temos um “padrão”: Baku raramente entrega uma corrida sem sobressalto, e é exatamente por isso que o Grande Prêmio do Azerbaijão virou um dos pontos altos do calendário para quem acompanha a Fórmula 1.

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