Kojima aparece sorrindo ao lado da CEO da Xbox dias depois do fim do acordo com a PlayStation
Hideo Kojima recebe a CEO da Xbox após o fim do acordo com a PlayStation, que assumiu o desenvolvimento de Physint e segue com OD.
Hideo Kojima publicou nesta segunda-feira (14) fotos ao lado de Asha Sharma, CEO da Xbox, na sede da Kojima Productions. Os dois vestem moletom com os logos da Xbox e do estúdio, sorriem para a câmera e tratam o encontro como jornada de trabalho e não como sessão de relações públicas.
A visita veio poucos dias depois de a Xbox assumir o desenvolvimento de PHYSINT, o jogo de ação e espionagem que a PlayStation largou em junho. Sharma descreveu o dia como reunião sobre OD, PHYSINT e “o futuro”. Kojima agradeceu a presença e mostrou que ela também assinou o mural de convidados do estúdio, com a frase “to invention and adventure together with Xbox” — à invenção e à aventura juntos, com a Xbox.
O recado no post e as fotos de moletom verde viraram o detalhe que mais circulou. Não porque alguém tenha anunciado data, trailer ou plataforma extra, mas porque o clima é o oposto do que se via nas imagens recentes de Kojima com Hermen Hulst, atual chefe da PlayStation. Lá o aperto de mão parecia protocolo. Aqui, conforme observado pela Eurogamer, o recado visual é outro: a parceria nova já está em casa.
Sharma deixou claro que a conversa não ficou só no jogo. O acordo agora cobre também cinema e televisão, o mesmo papo que a Xbox já tinha sinalizado quando fechou o resgate de PHYSINT. OD, o projeto de terror que já estava com a Microsoft, segue no mesmo conjunto.
Segundo o próprio criador, a PlayStation Studios avisou, de uma hora para outra, que cancelaria PHYSINT. O jogo tinha sido apresentado no começo de 2024 como uma aposta pesada da Sony. A equipe passou três meses atrás de um novo parceiro até fechar com a Xbox. Kojima insistiu que o projeto continua em pé e que não vai parar.
A explicação mais detalhada saiu de Jason Schreier, da Bloomberg, com base em fontes ligadas ao projeto. A Sony teria se assustado com o rumo financeiro: PHYSINT já atrasava marcos internos e caminhava para estourar o orçamento, mesmo faltando alguns anos para o lançamento. Os dois Death Stranding publicados pela PlayStation também pesaram. Fontes ouvidas pelo jornalista disseram que o primeiro e Death Stranding 2: On the Beach não bateram a meta de receita da empresa — números citados na cobertura internacional falam em cerca de 5 milhões e 2,5 milhões de cópias, respectivamente.
Tem outro ponto que a Sony passou a tratar como inegociável. A propriedade de PHYSINT ficaria com a Kojima Productions, não com a PlayStation Studios. Na prática, o máximo que a Sony conseguiria era exclusividade temporária, no mesmo modelo dos Death Stranding, que depois saíram em PC e, no caso do primeiro, também no Xbox. A companhia, segundo essas fontes, não queria colocar “centenas de milhões de dólares” num jogo que não ficaria preso para sempre no hardware dela.
Há ainda um fator interno menos comentado nas notas oficiais. Vários executivos da PlayStation que sustentaram a parceria com Kojima depois da saída da Konami já não estão mais na empresa. Quem entrou no lugar, de acordo com o mesmo relato, tinha menos disposição para bancar o tamanho do projeto.
Do lado da Xbox, a história é outra. Sharma tratou PHYSINT como investimento que vale a pena e a Microsoft planeja lançar o jogo no Xbox e no PC. Relatos até agora não mencionam versão de PlayStation. Para o Xbox, o pacote também serve de vitrine de publicidade: pega um criador que a Sony largou no meio do caminho e ainda leva adiante o braço de filme e série.
Nada disso responde quando PHYSINT ou OD chegam. Os dois ainda estão longe de verem a luz do dia. Por hora, temos apenas a história sendo escrita e a certeza de que Kojima e sua parceria história com o PlayStation agora parece ter mudado de cor, para algo mais verde.
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