Leaker afirma que a AMD já está produzindo a concorrente do DLSS 5 da NVIDIA
Leaker diz que a AMD prepara uma tecnologia de iluminação neural para GPUs RDNA 5, rivalizando com o DLSS 5 da NVIDIA a partir de 2027.
A AMD está preparando uma tecnologia própria de renderização neural para as GPUs RDNA 5, no mesmo campo em que a NVIDIA já colocou o DLSS 5. Quem diz isso é o leaker Kepler_L2, em posts no fórum da Anandtech nesta quarta-feira (16), compartilhado pelo site WCCF Tech. Ele descreveu o recurso como uma versão da AMD de Neural Lighting, e alertou que a carga de processamento deve limitar a função à próxima geração. A empresa ainda não confirmou o nome da arquitetura nem o calendário.
Renderização neural, no recorte do próprio Kepler, é qualquer técnica que troca shaders tradicionais por redes neurais. No caso da AMD, o foco anunciado por ele é iluminação. Quando alguém perguntou se isso ficaria restrito às placas RDNA 5, a resposta foi direta: provavelmente sim, porque “this stuff is pretty heavy”. Vale separar as coisas. Ele também deixou claro que Neural Lighting não é a mesma tecnologia que a Ray Regeneration da AMD, descrita por ele como um denoiser, não como o bloco que reconstrói a iluminação da cena.
O que o DLSS 5 faz hoje e o que o leaker gostaria que a AMD fizesse
O DLSS 5 da NVIDIA já está no ar em NBA 2K27, com mais jogos prometidos e versões “hackeadas” circulando em outros títulos. Segundo a leitura do Kepler, o modelo da NVIDIA faz basicamente quatro operações em cima da imagem: identifica o que há na cena (um rosto, uma mesa de madeira, um carro), ajusta a iluminação para melhorar subsurface scattering e ambient occlusion, muda o shading de superfícies complexas — principalmente pele e cabelo — rumo a um visual que o modelo considera mais fotorrealista, e ainda altera o color grading da cena para algo que ele classifica como mais “natural”.
É justamente esse último passo, e o fato de o modelo “adivinhar” o conteúdo a partir da imagem 2D, que gera a maior parte da briga. Parte dos jogadores e dos artistas reclama que a IA mexe na intenção original da direção de arte. A NVIDIA, mesmo assim, saiu na frente, como já tinha acontecido com Super Resolution, Frame Generation e Ray Reconstruction.
Kepler publicou uma lista do que, na opinião dele, a AMD deveria fazer diferente. Isso importa: ele não afirmou que esse é o plano interno da empresa. É um “na minha opinião”. A proposta dele é dar ao modelo acesso direto aos dados 3D do jogo — geometria e BVH, raios, depth buffers, materiais — para a rede não precisar chutar o que cada objeto é. Em seguida, separar o trabalho em dois modelos: um só para melhorar iluminação e outro só para o shading de superfícies complexas. O color grading, nesse desenho, sairia do pacote.
Se a AMD seguir por esse caminho, o contraste com o DLSS 5 fica menos no marketing e mais no ponto de entrada da IA. Em vez de olhar o quadro já renderizado e reinterpretá-lo, a rede trabalharia com o material bruto do motor. Isso não é garantia de qualidade melhor. É só o recorte técnico que o leaker considera mais limpo.
A AMD já publica pesquisa nessa direção
O timing do vazamento não veio do nada. Em agosto e setembro de 2026 a AMD soltou, via GPUOpen, dois trabalhos de iluminação neural que conversam com essa conversa. O primeiro, Lightweight attention-based indirect illumination, de 20 de agosto, descreve um modelo leve de iluminação global indireta. Ele mistura G-buffers da câmera principal com reflective shadow maps renderizados a partir de cada fonte de luz, o que permite recuperar geometria fora do frustum e melhorar sombras indiretas. A rede tem 2,19 milhões de parâmetros e, sem otimizações de inferência, rodou em 45,56 ms a 512×512 num acelerador Instinct MI250.
O segundo paper, Temporally stable generative illumination with a one-step diffusion model, saiu em 9 de setembro. Usa um modelo de difusão latente de um passo para gerar iluminação global a partir de iluminação direta, geometria, materiais e dados de luz, com vetores de movimento e o quadro anterior para manter estabilidade temporal. Nenhum dos dois textos diz “este é o Neural Lighting das Radeon”. São pesquisa aberta. Ainda assim, o recorte é o mesmo do vazamento: IA mexendo em iluminação com acesso a dados do motor, não só ao framebuffer.
Em março a AMD já tinha apresentado o FSR Diamond, descrito como suíte pensada para renderização neural da próxima geração, com upscaling por ML, Multi Frame Generation por ML e a tal Ray Regeneration para ray tracing e path tracing. Jack Huynh ligou o pacote ao Project Helix, da Microsoft, e à integração com o Xbox GDK. Consoles da próxima leva que usarem silício AMD entram nessa conta, ainda que o calendário de PC e o de console raramente andem colados.
Quando isso chega de verdade
A AMD nunca confirmou oficialmente o nome RDNA 5. Kepler apontou, em dezembro de 2025, um alvo de meados de 2027. Parceiros de placa repetiram 2027 durante a Computex 2026. O Moore’s Law Is Dead, citando um OEM, caiu na mesma janela. Vários AIBs, no entanto, falam em segunda metade de 2027, com disponibilidade real podendo escorregar para o começo de 2028. Entre uma geração Radeon e outra, o intervalo já está longo.
Enquanto isso, o DLSS 5 da NVIDIA não é só slide. Está em NBA 2K27, deve ganhar suporte oficial em mais jogos e já aparece injetado por mods em títulos que a NVIDIA ainda não liberou. Há até projetos da comunidade tentando rodar o Neural Rendering da NVIDIA em placas Radeon atuais, com qualidade próxima e desempenho ainda sofrido. Ou seja: o debate visual já começou no PC. A resposta de produto da AMD, se o vazamento se confirmar, é conversa de 2027 — e talvez de 2028.
Se a AMD entregar uma implementação competitiva, o efeito prático para quem joga é pressão sobre o modelo da NVIDIA, não um reset imediato do mercado. Por agora, o que existe de concreto de um lado é um recurso no ar, polêmico e em expansão. Do outro, um leaker experiente dizendo que a AMD também está nesse barco, pesquisa aberta de iluminação neural e uma geração de GPU que ainda não tem data oficial.




