Mais uma vez, agora na Itália: um político disse que “games violentos serviram de treino” para protestos em Milão
Ex-ministro italiano Claudio Martelli atribui tumultos em Milão a games violentos, mas não há dados que liguem os detidos aos jogos.
Claudio Martelli, ex-ministro da Justiça da Itália, disse que videogames violentos servem de treino para os jovens que protagonizaram os tumultos de rua em Milão. A declaração foi dada nesta semana e repercutiu na imprensa italiana, com destaque na Multiplayer.it, site de notícias sobre games do país que acompanhou mais de perto a situação.
O que Martelli disse
Para ele, controlar centenas de adolescentes tão exaltados é difícil, e a capacidade de violência deles não deve ser subestimada. Martelli afirmou que eles são “treinados” por videogames que deixaram de ser brincadeira. Segundo ele, os jogos são encarados com a leveza de quem joga, mas o conteúdo tem uma violência difícil de domar.
Martelli tem 83 anos e é jornalista e político, ligado a Bettino Craxi, ex-primeiro ministro italiano, falecido em 2000. Foi vice-secretário do PSI (Partido Socialista Italiano) em 1981, vice-presidente do Conselho entre 1989 e 1991 e ministro da Justiça de 1991 a 1993. Na mesma semana, ele também apareceu nas notícias por esbravejar e xingar ao vivo no programa Filorosso, um talk show sobre política da Raidue, depois de ser interrompido por Antonio Di Pietro.
O que aconteceu em Milão
Os confrontos começaram no sábado, 17 de outubro, durante um ato contra o aumento do custo de vida, do preço dos combustíveis e dos impostos. O protesto foi convocado pelo movimento Italia in Piazza, divulgado principalmente por TikTok e Instagram, e reuniu mais de cinco mil pessoas na famosa Piazza del Duomo, segundo o jornal Avvenire.
Parte dos manifestantes, jovens e muitas vezes encapuzados, acabaram assumindo o protagonismo. Houve tudo aquilo que é comum em protestos pedras, bombas de efeito e conflitos contra a polícia, vitrines quebradas e lojas invadidas. Também houve distúrbios em Turim, Bolonha e Bergamo. O número de detidos varia conforme o veículo: o Il Fatto Quotidiano fala em 160, com 80% de menores de idade, e o Avvenire em cerca de 200.
O Il Post também apontou que a maioria dos envolvidos era muito jovem, desorganizada e sem ligação com movimentos ou grupos políticos.
Mais uma vez, os games
Não é a primeira e nem a última vez que os videogames serão os “culpados” por tanta violência. O político esqueceu, por exemplo, que o Autunno Caldo (Outono Quente) de 1969, onde milhares de trabalhadores industriais protestaram contra sua situação de trabalho, e rendeu um conflito de rua em Turim, entre estudantes e trabalhadores da Fiat contra policiais. Curiosamente, antes dos videogames.
Aqui no Brasil, os videogames foram “culpados” por vários episódios de violência noticiados ao longo dos anos, como se antes dos games o nosso país fosse pacífico e distante de conflitos e situações violentas. Os livros Videogame e Violência, de Salah H. Khaled Jr. e Se eu não atiro, o que eu faço, de Alice Gobbi, derrubam estes mitos com base na ciência e em dados de pesquisa concretos.
Até o momento, não há dado oficial divulgado ligando os detidos ao consumo de videogames. O que existe de concreto são os números das detenções, a idade dos envolvidos e a pauta do protesto.
Resumo rápido
- Quem disse: Claudio Martelli, ex-ministro da Justiça da Itália
- O que disse: que videogames violentos treinam jovens para a violência de rua
- Contexto: tumultos de 17 de outubro de 2026 em Milão, Turim, Bolonha e Bergamo
- Detidos: cerca de 160 a 200, segundo o veículo, com maioria de menores
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