Super Mario 64 ganha versão jogável no software Scratch, com quatro estrelas disponíveis
Super Mario 64 ganhou uma versão jogável no Scratch, com quatro estrelas disponíveis e suporte ao TurboWarp, mas ainda em beta e sem salvamento.
Um desenvolvedor conhecido como naegoxdev publicou no GitHub o SM64 Scratch, um conjunto de scripts que monta uma versão jogável de Super Mario 64 como projeto .sb3 do Scratch, usando apenas blocos padrão. O jogo roda no TurboWarp, e é preciso ter a sua própria ROM americana do original para gerar o arquivo. O projeto está na beta 0.1.0, ainda incompleto, mas com quatro Power Stars já coletáveis.
O que dá para jogar na beta 0.1.0
Segundo o repositório, a versão inicial traz a introdução com a cabeça interativa do Mario, os jardins do castelo, partes do interior do castelo e a fase Bob-omb Battlefield. As estrelas disponíveis são quatro: a do topo da montanha, as 8 Red Coins, a que fica atrás do portão do Chain Chomp e a das 100 moedas. A luta contra o King Bob-omb ainda não foi implementada, então a estrela do cume é coletada sem o chefe. O autor chega a provocar a comunidade, perguntando se alguém vai fazer speedrun das quatro estrelas.
O repositório, como os recentes projetos de recompilação, não inclui ROM nem uma versão pronta para jogar. Ele traz as ferramentas de extração e um modelo de Scratch sem recursos do jogo, apenas com a lógica e mídia de crédito. Quem quer jogar precisa ter o arquivo do Super Mario 64 (USA) em mãos: os scripts leem a ROM localmente, reconstroem texturas, modelos, animações e áudio, e inserem tudo no projeto. O SHA-1 normalizado precisa ser 9bef1128717f958171a4afac3ed78ee2bb4e86ce, e o construtor aceita os formatos .z64, .n64 e .v64.
Passo a passo para gerar o arquivo
Você vai precisar de Python 3.10 ou superior e dos pacotes do requirements.txt. No Windows, dá para dar dois cliques em BUILD_WINDOWS.bat e informar o caminho da ROM; o script cria o ambiente virtual, instala as dependências e gera o jogo. Quem prefere o terminal pode usar os comandos do PowerShell descritos no README. No macOS e no Linux, o caminho é criar um ambiente virtual e rodar build_game.py –rom com o endereço da ROM, ou usar o auxiliar BUILD_MAC_LINUX.sh.
Se tudo der certo, o resultado aparece em output/MARIO64_SCRATCH.sb3, acompanhado de um build_report.json. O status PLAYABLE_DEMO_INCOMPLETE nesse relatório pode assustar, mas o próprio autor explica que ele só indica o estágio de desenvolvimento e não um erro de compilação. Aí é abrir o .sb3 no TurboWarp.
Os controles do Mario neste port são:
- WASD: mover o Mario
- Espaço: pular
- X: atacar ou mergulhar
- Z: agachar ou ground pound
- Setas: câmera
Não precisa segurar Shift para correr.
Projeto ainda com limitações
Câmera, colisões, animações e transições ainda têm bugs. O desempenho varia conforme o computador e a cena, e o TurboWarp é o player previsto: rodar no site do Scratch não tem compatibilidade nem desempenho garantidos. Outro detalhe importante é que a bandeira verde reinicia a sessão e zera moedas e estrelas, já que não existe salvamento de progresso por enquanto.
A lógica e o comportamento dos sistemas foram desenvolvidos com referência na decompilação pública de Super Mario 64 do time n64decomp. O renderizador 3D do Scratch parte do projeto “Concrete Interior [3D]”, de 12zend.
E assim, o Super Mario 64 segue emergindo como um desafiante para Doom. Pois mesmo sem a “biblioteca de coisas” que rodam o clássico da ID, o game da Nintendo já está rodando, além deste app, em um Vectrex, no 3DO, no Saturn e na realidade virtual. Uma lista ainda pequena, mas que pode incentivar outros criadores a ampliar ela, quem sabe até em um “nível Doom”.
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