Análise Arkade: Akatori, um metroidvania 2.5D charmoso e desafiador

24 de agosto de 2026

Akatori, desenvolvido pela Contrast Games, é um metroidvania que combina personagens em pixel art 2D com cenários 3D para construir uma jornada que, se não é realmente marcante ou original, é bem executada. Saiba mais em nossa análise completa!

Uma jovem monja contra a corrupção

A protagonista de Akatori é Mako, uma jovem criada no Templo do Pássaro de Fogo que acaba envolvida em uma missão para impedir que a chamada Tempestade Âmbar contamine diferentes mundos. Essa substância possui suma importância no universo do jogo: o âmbar pode alimentar tecnologias e diferentes formas de vida — mas também é capaz de corromper aquilo que toca.

Felizmente, Mako não está sozinha nessa jornada. Um misterioso pássaro vermelho acompanha a protagonista selado em seu cajado — o que torna o bastão a principal ferramenta de que dispomos, útil tanto no combate quanto na exploração. A criatura pode assumir diferentes formas e a relação entre Mako e o pássaro é o que há de mais perto de uma história que vamos ver em Akatori — especialmente porque existe uma dose considerável de mistério envolvendo a origem do pássaro e sua conexão com a garota.

A história não é lá essas coisas, mas vai ganhando novas camadas, envolvendo questões de família, destino e responsabilidade. O maior problema está na escrita. Alguns diálogos parecem sofrer com uma tradução capenga, que tira o impacto de certas cenas da história. Na prática, é um jogo que se sustenta mais pelas suas mecânicas do que pela sua narrativa.

Movimento é a grande estrela

É no gameplay que Akatori encontra sua principal virtude: os controles são ágeis e responsivos, com bastante combate, exploração e bons desafios de plataforma.

Mako possui uma movimentação bastante fluida, que vai ficando cada vez mais interessante conforme novas habilidades são desbloqueadas. O cajado, como já dito, também é uma ótima ferramenta de mobilidade, que nos permite planar, deslizar, alcançar determinadas áreas e interagir com elementos do cenário.

O resultado é uma exploração bastante dinâmica e cheia de possibilidades. O simples ato de atravessar um cenário é quase tão divertido quanto enfrentar inimigos, principalmente quando conseguimos encadear saltos, dashes e outras habilidades sem interromper a cadência do movimento.

O combate também segue essa filosofia ágil. Mako utiliza seu cajado para atacar e pode combinar diferentes movimentos para lidar com os inimigos, e existe uma boa variedade de golpes e combos — no chão e aéreos — para lidar com diferentes tipos de adversários. Os chefes, por sua vez, são verdadeiros testes de habilidade, pois exigem que a gente decore padrões de ataque e saiba utilizar adequadamente todo o arsenal de Mako. Alguns confrontos são especialmente criativos porque brincam com a relação entre os planos 2D e 3D, gerando momentos únicos.

Dito tudo isso, vez ou outra o jogo pode exigir uma precisão exagerada, ou o que devia ser um desafio baseado em reflexos acaba dependendo um pouco demais de tentativa e erro. São problemas pontuais, mas que se tornam perceptíveis justamente porque a movimentação é o cerne da experiência.

2.5D caprichado

Akatori é um jogo que combina 2D com 3D de forma muito rica. Mako e os demais personagens são apresentados em sprites extremamente detalhados, enquanto os cenários utilizam elementos tridimensionais para criar profundidade e escala. O resultado é um 2.5D impressionante, que funciona muito bem para passar uma sensação de escala e grandiosidade.

É particularmente interessante observar como os dois estilos se complementam com autenticidade: temos personagens em pixel art atravessando ambientes com profundidade, iluminação e efeitos modernos, bem como jogadas de câmera que brincam com a perspectiva, criando uma estética que fica “no meio do caminho” entre o retrô e o novo.

Cada região possui identidade própria, e o jogo consegue alternar entre ambientes naturais, templos e áreas mais fantásticas sem perder sua coerência visual. A trilha sonora acompanha bem essa proposta: as músicas conseguem alternar entre momentos mais contemplativos e faixas mais intensas durante os combates, ajudando a construir a atmosfera de cada região.

Outro ponto positivo é a localização: o game conta com menus e legendas em português brasileiro para ninguém ficar boiando na história. A localização sofre dos problemas já mencionados de tradução e texto, mas no geral, cumpre seu papel.

Conclusão

Akatori não tem a ambição de reinventar o gênero metroidvania. Ele utiliza uma estrutura bastante conhecida, mas consegue encontrar seu lugar na combinação entre artes marciais, movimentação acrobática e uma direção de arte caprichada.

Seu maior mérito sem dúvida está na mobilidade da protagonista: conforme novas habilidades são desbloqueadas, explorar os cenários fica cada vez mais agradável, e o mapa deixa de ser uma sequência de lugares para se tornar um verdadeiro parque de diversões cheio de possibilidades de movimentação.

A história deixa a desejar — e a qualidade da escrita é um problema difícil de ignorar. Em resumo, o que temos aqui é um metroidvania que não almeja ser o novo Hollow Knight, mas é divertido e bem feitinho o suficiente para justificar seu espaço entre tantos outros representantes do gênero.

Akatori está disponível para PC, Playstation 5 (versão analisada), Playstation 4, Xbox Series, Xbox One e Nintendo Switch 2.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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