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Análise Arkade: ChainStaff, um run and gun nostálgico com um tempero especial

ChainStaff é um run and gun que lembra Contra, mas tem uma ferramenta muito especial - a ChainStaff - que transforma o gameplay! Confira nossa análise!

Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: ChainStaff, um run and gun nostálgico com um tempero especial

ChainStaff é um jogo de ação e tiro 2D com forte inspiração no clássico Contra. Mas, apesar das referências claras, ele se destacar ao apostar justamente no equipamento que dá nome ao jogo: a poderosa ChainStaff.

O caos biológico e a ChainStaff

A história se passa em um mundo (que talvez seja o nosso), onde algum tipo de invasor alienígena desconhecido — os Esporos Estelares — transformou a fauna e a flora em monstruosidades hostis e criaturas grotescas. É aquele tipo de cenário caótico, dominado por mutações fora de controle, que serve como desculpa para uma boa dose de ação desenfreada.

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No centro disso tudo está um protagonista tão estranho quanto o mundo ao seu redor: um soldado híbrido, meio humano, meio inseto — na verdade é um humano com um hediondo inseto alienígena grudado na cabeça — que, por alguma razão, empunha a poderosa ChainStaff.

Uma mistura de bastão articulado com corrente e arpéu, a ChainStaff funciona como arma, ferramenta de defesa e é útil até na locomoção! De fato, todo o jogo parece construído ao redor da utilização do tal equipamento.

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A proposta é simples e direta: abrir caminho na marra por este mundo distorcido, eliminando monstros, salvando (ou consumindo — logo falo mais sobre isso) outros sobreviventes e tentando conter o colapso biológico que tomou conta do planeta. Tudo isso com o suporte de uma trupe que parece saída diretamente de um filme de ação dos anos 1980.

Fluidez e carnificina

No geral, ChainStaff é um run and gun direto ao ponto, sanguinário e visceral, que aposta na intensidade e nos combates frenéticos contra monstros e chefes gigantes. O que traz um gostinho especial é justamente a mecânica central da ChainStaff — ferramenta que adiciona uma camada própria ao gameplay e transforma consideravelmente a forma como interagimos com o mundo do jogo.

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O funcionamento desse equipamento é, talvez, o aspecto mais interessante: apesar de ser extremamente versátil, a Chainstaff não depende de comandos complexos ou menus cheios de opções. Tudo gira em torno de um único botão, que assume funções contextuais de acordo com a situação. Mirando para frente, você a utiliza como projétil; no ar, ela vira um gancho para locomoção; ao mirar para baixo, funciona como um escudo temporário; e, em outras situações, pode até ser cravada em superfícies para servir como plataforma. É um layout de controle elegantemente minimalista, que prioriza fluidez sem abrir mão da profundidade.

E essa escolha faz todo sentido dentro da proposta do jogo: como se trata de uma experiência bastante frenética, com muitos inimigos em tela e pouco espaço para erro, seria fácil transformar tudo em algo confuso ou truncado. Mas o uso simplificado da ChainStaff mantém o ritmo sempre no alto, permitindo que o jogador reaja rapidamente às situações.

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Além disso, o jogo recompensa quem domina essas mecânicas — especialmente em se tratando de travessia e exploração — já que muitos coletáveis e segredos exigem um uso mais criativo da ChainStaff, seja escalando áreas menos óbvias ou improvisando para alcançar pontos escondidos do cenário.

Misericórdia ou sacrifício?

E já que falamos em coletáveis, ChainStaff toma um caminho um tanto perturbador na forma como nos oferece pontos de experiência e novas habilidades. Ao invés de itens tradicionais espalhados pelo cenário, o jogo apresenta soldados feridos que precisam de ajuda. Ao encontrá-los, precisamos tomar uma decisão: resgatá-los, arrancar seus cérebros ou devorar seus corações (?!).

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Cada uma dessas escolhas concede um tipo diferente de benefício, funcionando como uma espécie de sistema de progressão vinculado a decisões morais. Salvar os soldados pode render certos upgrades tecnológicos, enquanto as opções mais sangrentas desbloqueiam habilidades mais brutais dentro da árvore de evolução do personagem. É um sistema interessante justamente por não ser óbvio: nem sempre a escolha “correta” do ponto de vista moral é a mais vantajosa em termos de upgrades.

E o mais legal é que o jogo não ignora essas decisões: se você consumir muitos soldados, seus companheiros começam a reagir, criticando suas ações via rádio. Isso cria uma camada narrativa que dialoga diretamente com o sistema de progressão, culminando inclusive em um final bom ou um final ruim, dependendo do seu comportamento.

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No fim das contas, é uma mecânica de risco e recompensa bem integrada à ideia do herói-inseto-mutante, que reforça o tom sombrio do jogo e concede algum peso narrativo às escolhas do jogador, por mais simples que elas sejam.

Audiovisual

No departamento audiovisual, ChainStaff é um jogo que causa uma primeira impressão… peculiar. À primeira vista, tudo parece excessivamente poluído, com muitos elementos visuais competindo pela sua atenção. Mas, conforme você avança, essa “bagunça” começa a fazer sentido dentro da proposta.

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É uma direção de arte que me lembrou outro indie game um tanto bizarro: Ultros. Em ambos os casos, a estranheza vai se dissipando com o tempo e, aos poucos, o jogador se acostuma e até consegue apreciar essa estética e enxergar uma certa beleza no caos — com destaque para o design das criaturas, que é bastante inspirado… e grotesco.

Essa identidade visual tem uma base bem interessante: o jogo se inspira em capas de álbuns de heavy metal e metal progressivo. Não é uma referência escancarada como em Slain: Back From Hell, por exemplo, mas que se faz presente nos detalhes — na geometria dos backgrounds, nas combinações inusitadas de cores — ou até de forma menos sutil nos nomes dos personagens, que trazem trocadilhos e referências ao universo do rock pesado.

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No som, o jogo segue essa mesma linha, com uma trilha pesada para jogar batendo cabeça, assinada por Deon van Heerden, compositor conhecido por seu trabalho em Broforce. As músicas combinam bem com a ação frenética, ainda que não sejam particularmente memoráveis, e os efeitos sonoros cumprem bem o papel dentro do caos das batalhas. Vale destacar também que o jogo conta com localização em português brasileiro em menus e textos, o que facilita o entendimento tanto da história quanto das mecânicas apresentadas.

Conclusão

No fim das contas, ChainStaff é aquele tipo de jogo que, à primeira vista, pode parecer só mais um run and gun genérico — mas que logo mostra que tem algo a mais. E seu grande trunfo está justamente na ChainStaff. A forma como ela se integra ao gameplay, com fluidez e múltiplas funções, dá ao jogo uma identidade própria e sustenta boa parte da sua diversão.

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Mas não é só isso. O sistema de escolhas envolvendo os soldados que encontramos pelo caminho, a progressão atrelada a decisões moralmente questionáveis e toda a estética estranha ajudam a construir uma experiência que foge do lugar-comum. ChainStaff pode não ser um jogo revolucionário, mas é, no mínimo, diferente — e isso já é um mérito considerável dentro do cenário indie.

Se você curte ação frenética, trilha sonora pesada e aquela vibe meio “filme de ação dos anos 80 com toques de bizarrice sci-fi”, há boas chances de se divertir aqui. ChainStaff é um jogo competente, criativo dentro do seu escopo e que entrega uma experiência satisfatória para quem curte esse tipo de proposta.

ChainStaff já está disponível para PC, Playstation 5 (versão analisada), Xbox Series e Nintendo Switch.

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ChainStaff

Ficha do jogo
Plataformas
PlayStation, Xbox, PC
Lançamento
8 de abril de 2026
Desenvolvedora
Mommy's Best Games
Gênero
Plataforma
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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