Ir para o conteúdo

Análise Arkade – Forever Ago te coloca uma câmera na mão para contar uma história sobre perdas

Análise de Forever Ago avalia a jornada melancólica de Alfred, a fotografia e o gameplay lento em uma história sobre luto e memórias.

Junior Candido
Análise Arkade – Forever Ago te coloca uma câmera na mão para contar uma história sobre perdas

Forever Ago é um daqueles jogos que vai valer uma boa viagem para quem gosta de um jogo lento, de poucas horas, que se apoia quase inteiro na emoção da história. Lançado em 8 de outubro de 2026 para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC (Steam, Epic Games Store e Microsoft Store), o título da Annapurna Interactive acompanha o idoso Alfred numa viagem para o norte depois de uma perda muito dura, com uma câmera instantânea no banco do carona e uma van como casa provisória. No entanto, há um ponto a se considerar, mesmo falando de jogos da Annapurna: como jogo, ele entrega pouco.

Uma viagem após uma perda

Análise Arkade – Forever Ago te coloca uma câmera na mão para contar uma história sobre perdas (imagem 2)

Alfred sai de casa logo após a morte de Audrey, a companheira de uma vida inteira, e a estrada vira o jeito que ele encontra de lidar com o luto e com arrependimentos que nunca resolveu. Cada parada, seja um posto de gasolina cheio de abóboras de cerâmica, um café de beira de estrada ou uma trilha até um farol, reabre uma lembrança do casal. A narrativa começa em 1974 e alterna o Alfred de hoje com o jovem que conheceu Audrey, o que dá ao jogo um ritmo de vai e volta entre passado e presente. Quem espera um romance de conto de fadas vai estranhar, porque a relação mostrada tem ambições abandonadas, desencontros e momentos de infelicidade, e é justamente isso que a deixa mais próxima de nós, que guardamos nossas lembranças boas, mas que sabemos que a vida não é um conto de fadas.

Não há árvore de escolhas nem aquele aviso de que alguém vai se lembrar do que você respondeu. Tudo é roteirizado, como um livro jogável, para contar uma história sobre arrependimento. E isso funciona a favor, já que o ponto é acompanhar Alfred, não reescrever o destino dele.

O que a câmera faz de verdade

Análise Arkade – Forever Ago te coloca uma câmera na mão para contar uma história sobre perdas (imagem 3)

A câmera instantânea é o que dá identidade ao jogo, mas o papel dela é mais discreto do que o jogo sugere. Você tira fotos para registrar a viagem e alimentar um diário, e em alguns momentos a foto serve para resolver pequenos quebra-cabeças de ambiente. Esses desafios são leves, mais um convite a olhar com atenção para o cenário do que um teste de raciocínio. O efeito é de álbum: ao final, as imagens funcionam como memória do que você viu, e o jogo usa isso para reforçar o tema de guardar o que importa antes que escape.

Publicidade

Como se joga

Análise Arkade – Forever Ago te coloca uma câmera na mão para contar uma história sobre perdas (imagem 4)

Na maior parte do tempo, Forever Ago é um jogo de exploração em terceira pessoa, no estilo “walking simulator”, com um botão para interagir com objetos e entender melhor os lugares e as pessoas que Alfred encontra. Há trechos em primeira pessoa e as cenas de direção entre um destino e outro, que rendem paisagens bonitas. Aqui aparece a parte mais curiosa, em dias de gameplay acelerados e personagens que fazem tudo correndo: Alfred anda devagar, o que combina com a idade dele mas que pode incomodar os mais aceleradinhos, e algumas interações exigem estar bem alinhado com o objeto para funcionar, quase como em alguns jogos dos tempos do PS1. A campanha dura cerca de quatro horas, o que ajuda a evitar que o ritmo arraste demais, e há um cachorro que você pode afagar, detalhe que a própria Annapurna faz questão de destacar.

Visual e trilha sonora

Análise Arkade – Forever Ago te coloca uma câmera na mão para contar uma história sobre perdas (imagem 5)

O visual lembra Firewatch, com cores quentes, cenários amplos e uma direção de arte que prioriza atmosfera. O mapa passa por lagos cercados de floresta, trilhas, desertos tomados pelo calor e montanhas, numa versão idealizada dos Estados Unidos. Não é um jogo que pese no hardware, e o PC e os consoles rodam tranquilamente. A trilha é de Clark Aboud, o mesmo de Slay the Spire e Kind Words, e ela segura bem o clima melancólico sem soterrar as cenas. A dublagem também ganha elogios, em especial nas atuações de Alfred e Audrey.

O trunfo da Third Shift

Análise Arkade – Forever Ago te coloca uma câmera na mão para contar uma história sobre perdas (imagem 6)

A Third Shift é um estúdio de duas pessoas, dois amigos de longa data, e Forever Ago é a estreia deles. O grande acerto está na escolha de colocar um protagonista idoso no centro de uma história sobre luto, algo raro no mercado e tratado aqui com respeito e leveza. Vale até um detalhe curioso: a demo que o estúdio mostrou na Summer Game Fest deste ano é a mesma que foi usada para convencer a Annapurna, que adora trazer histórias narrativas, a publicar o jogo. O projeto foi revelado em 2022 e passou anos em desenvolvimento antes de chegar às lojas.

Siga o Arkade no Instagram @revistaarkade Seguir

Um livro jogável

Análise Arkade – Forever Ago te coloca uma câmera na mão para contar uma história sobre perdas (imagem 7)

O único porém do game é o seu gameplay, muito simplório. Não é que um jogo como este tivesse que ter ação, pois quem o joga sabe o que vai receber. Mesmo assim, a mecânica rasa para um título que se descreve como aventura, torna a aventura um pouco mais maçante do que o esperado. Entenda: o jogo entrega exatamente o que promete, mas em um ritmo muito mais lento do que deveria, mesmo em sua proposta de “história jogável”.

Posso citar, como exemplo positivo de jogos desta natureza o One Step After Fall, publicada pela brasileira QUByte. O game tem a mesma premissa de contar uma história, de revisitar lembranças e de ser curto o suficiente para apresentar tudo. Mas o faz com mais competência, e qualidade de gameplay.

Um jogo para quem quer uma história jogável

Análise Arkade – Forever Ago te coloca uma câmera na mão para contar uma história sobre perdas (imagem 8)

Forever Ago serve para quem gosta de narrativas curtas e intimistas, na linha de Firewatch e de histórias de luto e memória, e não se incomoda com um ritmo contemplativo. Quem procura desafio, ação ou várias horas de conteúdo vai ficar desapontado.

Publicidade

Ele tem tudo para agradar os fãs da Annapurna, e de quem quer jogar algo menos acelerado do que os jogos “normais” que temos hoje em dia. Mas tenha em mente que, aqui, a lentidão e contemplação é muito mais devagar até do que jogos semelhantes, então jogue a demo antes de abraçar o jogo, se tiver a fim de embarcar nesta aventura.

Aproveite que está aqui e siga o Arkade no:

O Anbernic RG DS é o Nintendo DS de ontem, mas com suporte a muitos mais jogos e recursos de games de hoje. Garanta já o seu no AliExpress!

Se prepare para o remake de Zelda Ocarina of Time garantindo já o seu Nintendo Switch 2, com frete Prime garantido na Amazon!

Próxima matéria Análise Arkade: Castlevania: Belmont’s Curse Análises Análise Arkade: Castlevania: Belmont’s Curse, um excelente retorno que moderniza a série e respeita seu legado Castlevania: Belmont’s Curse celebra os 40 anos da franquia do jeito certo: respeita o passado, mas olha para o futuro. Confira nossa análise completa!
Junior Candido

Conto a história dos videogames e da velocidade de ontem e de hoje por aqui! Você pode me seguir em instagram.com/juniorcandido ou x.com/junior_candido E para contatos, envie sua mensagem para o e-mail [email protected]

Mais matérias de Junior Candido

Buscar no Arkade