Análise Arkade: Mika and the Witch’s Mountain e os desafios de uma bruxinha entregadora
Mika and the Witch’s Mountain nos coloca no papel de uma bruxinha que precisa fazer entregas para ganhar dinheiro. Confira nossa análise!
Você já assistiu ao clássico O Serviço de Entregas da Kiki, do Studio Ghibli? Pois, se a ideia do filme — uma bruxinha que entrega encomendas voando com sua vassoura — lhe agrada, Mika and the Witch’s Mountain é o jogo que você estava esperando!
Eu mesmo fui cativado pela premissa e pelo carisma que o jogo mostrava em seus trailers. Eu esperava que Mika and the Witch’s Mountain seguisse uma linha meio A Hat in Time, sabe? Homenageando um nicho muito específico dos jogos de plataforma 3D.
E assim… ainda que isso até seja verdade, e o jogo seja muito carismático… minha experiência com o controle na mão acabou sendo meio chata. Mas calma, que logo a gente fala mais disso: antes, vamos à sinopse!
A bruxinha entregadora
Mika and the Witch’s Mountain nos apresenta à Mika, jovem aspirante à bruxa que estava passando por seu treinamento para se tornar uma “bruxa de verdade” na Montanha da Bruxa. Porém, ela acaba despencando da montanha para a ilha que fica lá embaixo, e vai precisar dar um jeito de voltar lá para cima.

O problema é que sua vassoura, além de danificada pela queda, não é potente o suficiente para levá-la de volta ao topo. Se quiser voltar para lá, ela precisará comprar uma vassoura nova e melhor.
E como ela consegue o dinheiro para isso? Arrumando um bico como entregadora e prestando serviço para o povo que vive na ilha.

Apesar da simplicidade da trama, o jogo ganha pontos simplesmente por ser fofinho e carismático. Mika é uma protagonista muito enérgica e “good vibes”, e quase todo NPC tem algo simpático ou divertido para nos dizer.
Simulador de entregas
O cerne de Mika and the Witch’s Mountain é o trabalho de entregas. Vamos coletar um item no ponto A e levar ao ponto B. Chegando lá, provavelmente vamos receber outra encomenda, que deve ser levada ao ponto C. Aí voltamos para a central, pegamos novos pacotes para entregar, e assim sucessivamente.

A premissa de “garoto de recados” é algo que não me apetece muito em videogames. Missões secundárias tipo “perdi minha frigideira, me ajude a encontrá-la” são, na minha opinião, o ápice da falta de criatividade narrativa em um jogo.
Dito isso, embarquei em Mika and the Witch’s Mountain esperando um jogo de plataforma 3D divertido. Mas ele é essencialmente um “Delivery Simulator”… com a diferença de que, aqui, fazemos as entregas voando em uma vassoura.

Admito que isso talvez tenha me deixado meio de má vontade com o jogo. Mas, independente disso, sinto que um jogo que se apoia somente em entregar coisas tende a tornar-se repetitivo (não por acaso, eu acho Death Stranding um saco). E isso acontece por aqui.
Os desafios de uma bruxa entregadora
Apesar de ser um jogo pacífico, sem combates, nem inimigos, Mika and the Witch’s Mountain possui seus elementos dificultadores. O primeiro deles é a imprecisão (proposital) do controle da vassoura.

E isso até faz sentido: uma vassoura não é um veículo tradicional, afinal de contas. Não tem motor, não faz curvas perfeitas. Isso torna sua dirigibilidade intencionalmente imprecisa.
Até aí tudo bem. O problema é que boa parte dos pacotes que carregamos não pode sofrer pancadas, ou molhar. E quando somamos isso à direção imprecisa, à topografia acidentada da ilha, e às correntes de ar traiçoeiras que nos jogam para a frente, fica quase impossível uma entrega chegar intacta.
Em muitos casos, é até possível entregar o objeto danificado. Mas com isso, não ganhamos dinheiro. Sem dinheiro não compramos vassouras melhores. Sem vassouras melhores, a história não anda. Ou seja, caprichar nas entregas não é apenas questão de perfeccionismo, mas uma necessidade para progredir.

E é por tudo isso que Mika and the Witch’s Mountain pode tornar-se chato e frustrante. O que, me parece, não é a intenção de um jogo pacífico e bonitinho como ele.
Audiovisual
Se tem algo que não há do que reclamar em Mika and the Witch’s Mountain é seu departamento audiovisual. Com lindas cenas animadas e um visual chibi que esbanja fofura, o jogo acerta a mão, com um character design primoroso e belas paisagens tropicais. E, vale ressaltar, há muitas roupinhas e cosméticos desbloqueáveis para quem quiser “embonecar” a protagonista.

Os personagens não têm vozes, e a música na maior parte do tempo é incidental, permitindo que o jogador ouça o sopro do vento, o canto dos pássaros e outros sons da natureza que concedem uma vibe muito relaxante ao game.
Jogando no Nintendo Switch, temos uma ótima performance, ainda que a tela de carregamento inicial seja meio longa. A maior parte do tempo que joguei foi em modo portátil, e o jogo se comportou muito bem.

Por último, mas não menos importante, vale ressaltar que o jogo está localizado para o português brasileiro, o que deixa os diálogos ainda mais autênticos.
Conclusão
Vendo as análises de Mika and the Witch’s Mountain na Steam, tenho a impressão de que estou sendo chato, e que só eu não gostei do jogo. Vendo a média dele no Metacritic, porém (um pálido 66), sinto que minha opinião é mais condizente com a do restante da mídia que analisou o jogo.

A verdade é que, talvez, Mika and the Witch’s Mountain não seja para mim. Assim como Souls-likes também não são. E tá tudo bem. Nem todo jogo vai agradar a todos.
Minha experiência com Mika and the Witch’s Mountain foi um tanto enfadonha. Mas, pode ser que você divirta-se muito com ele. Na dúvida, aproveite que o jogo tem uma demo gratuita disponível, experimente-o e tire suas conclusões.
Mika and the Witch’s Mountain está disponível para PC e Nintendo Switch. Posteriormente, ele chegará aos demais consoles.




