Colocaram Virtua Racing para rodar, com seu visual tridimensional e tudo, na tela monocromática do Playdate
Projeto homebrew coloca Virtua Racing em 3D real no Playdate, explorando os limites do portátil monocromático sem GPU da Panic.
Virtua Racing está rodando em 3D de verdade no Playdate. Não tem nada do estilo Mode 7, e nem é sprite fingindo profundidade. É polígono, pista, câmera e carro no portátil amarelo da Panic, com sua tela de 1 bit.
O desenvolvedor Alex Urbano (@el_goe) publicou no dia 16 de setembro um vídeo de cerca de 34 segundos com o simples recado “Virtua Racing on Playdate improvements :)”. Seis dias antes ele tinha soltado um primeiro recorte, ainda mais cru. A atualização veio com menu, troca de câmera e a pista Big Forest reconhecível — e o post passou de poucas centenas de views para mais de 52 mil, com centenas de curtidas e quase uma centena de republicações.
Quem conhece o hardware entende o tamanho do projeto. O Playdate usa um ARM Cortex-M7 a 168 MHz, 16 MB de RAM e um LCD Sharp de 400×240 em preto e branco. Não tem GPU. Cada vértice, cada recorte de triângulo e cada pixel sai do processador. Mesmo assim o overlay de debug do vídeo marca algo na casa de 23 a 32 fps, com picos de draw em torno de 21 a 32 milissegundos. Em trechos mais abertos chega a 32 fps (31,3 ms). Quando a tela fica cheia — ponte, arquibancada, geometria na frente — cai para 23 ou 24.
Os números que aparecem na tela ajudam a dimensionar o que o código está mastigando. Há milhares de triângulos processados por frame (na faixa de 2,8 mil a mais de 4 mil no recorte) e uma fatia bem menor de triângulos visíveis, algo entre 95 e 249 conforme o ângulo. Também sobra telemetria de marcha (1 a 7), velocidade em unidades por segundo, estado da pista (road, OFF ROAD, slip) e até um timer de volta. No menu lateral dá para escolher cena, volume, screenshot e três modos de câmera: Drive, Fly e Lit. No começo do vídeo a câmera voa sobre Big Forest a 6 segmentos por segundo antes de cair no cockpit.
Isso importa porque o Playdate já teve jogo corrida. O P-Racing, da Risolvi Productions, saiu em 2023 e ganhou prêmio da comunidade por desempenho técnico — só que usa técnica no estilo Mode 7, com chão projetado e carro em sprite pré-renderizado. O projeto do Urbano aponta para outro caminho: malha 3D, perspectiva livre e um cenário que se deixa orbitar.
O primeiro vídeo, de 10 de setembro, já tinha carro, pista e o mesmo overlay. Faltavam o menu, o nome da cena e a câmera livre. Dava para ver o carro girando fora da linha (SPIN) e um multiplicador 1.8x no HUD. A versão nova parece mais estável para dirigir, ainda que o debug continue à mostra, um sinal de que o projeto ainda está em desenvolvimento. Até agora não há página de download, nem aparição no catálogo da Panic ou algum repositório público ligado ao post.
Para quem acompanha a cena homebrew do portátil, o game entra numa lista curta de gente insistindo em testar 3D no Cortex-M7. Tem uma engine tipo PlayDatorse o experimento de Quake, além de corrida com drift como o Trackminia.
O Virtua Racing original chegou aos fliperamas em agosto de 1992 e depois chegou para o Mega Drive, 32X, Saturn, PS2 e Switch (o último, via Sega Ages). Nunca teve versão oficial no Playdate — e este projeto também não é oficial. É um desenvolvedor forçando o aparelho até o ponto em que a pergunta deixa de ser “cabe 3D nisso?” e vira “como faço para baixar o game?”.
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- Plataformas
- PlayStation, Retrô
- Lançamento
- agosto de 1992
- Desenvolvedora
- Sega-AM2
- Publicadora
- Sega
- Gênero
- Corrida




