Max Verstappen lidou com o “maior desafio da carreira” ao disputar uma corrida com 100 karts em Silverstone, largando em último
Max Verstappen venceu o desafio Max vs 100 em Silverstone após largar em último e ultrapassar 100 karts em apenas 14 voltas.
Max Verstappen largou em 101º no desafio Max vs 100, passou 100 karts em Silverstone e fechou o desafio em 14 voltas, que durou cerca de 35 minutos. Na quarta-feira, 16 de setembro, o tetracampeão da Fórmula 1 transformou o que a Red Bull chamou de “maior corrida de kart do mundo” na primeira vitória dele em 2026. No rádio, depois de eliminar o último adversário, comemorou com o recado mais honesto do ano: “É a minha primeira vitória do ano, então eu fico com essa.”
A temporada de F1 deste ano não tem sido generosa com o holandês, que ainda não venceu nenhuma corrida. Dias antes ele tinha chegado em segundo no GP da Espanha, mas em Silverstone, o troféu veio de outro jeito: um grid de 101 karts iguais, em largada parada no estilo de um Grande Prêmio e uma regra simples. Quem o Verstappen ultrapassasse, saía da prova. O limite era 30 voltas ou 75 minutos. E deu tempo de sobra.
A pista, que antes era base da RAF e serviu para decolar muitos aviões na II Guerra, tinha 2,5 km em sua adaptação e nasceu para aquele volume de gente. David Terrien, diretor de prova e responsável pelo traçado, misturou o kartódromo de Silverstone com um pedaço do circuito de F1. Nunca tinha existido uma corrida de kart com tantos carros ao mesmo tempo, e o próprio Verstappen confessou o tamanho do problema quando caminhou do box até o fundo do grid: “É um caminho longo. Muito longo.” Mais tarde reforçou: “Quando cheguei e vi 100 karts na minha frente, fiquei um pouco preocupado.”
Ele mal treinou. Os desafiantes passaram dois dias de prática sob o olhar de Arvid Lindblad, da Racing Bulls. Verstappen fez três ou quatro voltas de reconhecimento e pronto. O cálculo da Red Bull previa algo perto de 40 minutos, em alguns modelos até uma hora. A primeira volta detonou a conta.
No apagar das luzes ele já ganhava embalo, furou o funil da curva 1, escapou de quem rodava e até usou a grama quando a linha de pista “sumiu”. Quando o caos da largada passou e l cronômetro atualizou, o holandês estava em 37º. Eram 64 posições numa volta só. “Não foi uma primeira volta ruim, então”, brincou no rádio. Depois resumiu melhor: depois da bagunça da abertura, pensou “ok, isso aqui está sob controle”.
O ritmo de subida ficou explícito nas voltas seguintes. Na quarta volta, 25º; na sexta, 10º; na sétima, já era quinto. Cada ultrapassagem encerrava a prova de alguém. O pelotão foi sumindo até sobrarem três: o jornalista holandês Jacky Martens, pole da classificação; o youtuber Zac Alsop; e Lewis Osler, técnico da Red Bull Ford Powertrains. Os três brincaram no rádio em formar um bloqueio. Na prática, o que fizeram foi tentar sobreviver.
Havia um atalho tático, o Fast Lap. Cada desafiante podia usá-lo uma vez na primeira metade da prova. Verstappen também tinha um, só que liberado só na segunda metade. Com 54 minutos ainda no relógio, a direção deu um Fast Lap extra ao trio da frente. Eles usaram juntos na 12ª volta e passaram a se defender. Mas não adiantou nada pois na 13ª volta o tetracampeão chegou, limpou Alsop e Osler numa curva só e, na 14ª, alcançou Martens.
A diferença de ritmo explica o desfecho. A volta mais rápida dele foi 2min20s673. A segunda melhor, de Martens, 2min23s327 — 2,6 segundos mais lenta. No conjunto da prova, a Red Bull calculou uma média de um rival eliminado a cada 21 segundos. “Eu conhecia meus tempos das voltas de preparação e os tempos de classificação dos outros, então sabia que era possível. Mas dependia das duas primeiras voltas”, disse Verstappen. “Elas foram melhores do que eu esperava.”
Terrien viu o mesmo filme pelo replay e apontou o detalhe que separa piloto comum de um legítimo campeão. “Ele vê um espaço que ainda não abriu. Isso é visão de corrida. A maioria não tem.” O francês conhece a família de perto: correu no kart contra Jos Verstappen e Sophie Kumpen. Para ele, o que decidiu o Max vs 100 não foi só a velocidade. Foi a largada, combinada com tempo de reação e escolha de lado da pista no instante em que o acidente acontecia do outro. “Toda vez que havia um buraco, ele ia.”
O grid misturou atletas da Red Bull, criadores de conteúdo, convidados e fãs A transmissão foi ao vivo no Disney+, com câmera e microfone em cada kart. Verstappen usou o rádio do jeito que costuma usar no cockpit: “Estou indo atrás de vocês.” Em outro momento avisou os comentaristas que o trio da frente precisava se concentrar, porque ele estava chegando. Antes da largada já tinha deixado o recado de que não era evento beneficente.
No fim, o tom mudou. “Simplesmente gostoso”, riu quando o último kart caiu. Falou do gosto de voltar ao kart depois de anos de Fórmula 1 e também colocou a prova no ranking pessoal de um piloto com 71 vitórias na F1: uma das melhores que já fez. Chegou a provocar a ideia de repetir o formato no ano que vem, agora contra 200.
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