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Fórmula 1 – Vettel dirige a Ferrari F2002 de Schumacher em Monza e admite: sentiu o amigo nas voltas

Sebastian Vettel pilota a Ferrari F2002 de Michael Schumacher em Monza e se emociona ao recordar o amigo durante a homenagem.

Junior Candido
Fórmula 1 – Vettel dirige a Ferrari F2002 de Schumacher em Monza e admite: sentiu o amigo nas voltas

Sebastian Vettel guiou em Monza a Ferrari F2002 de Michael Schumacher e saiu do cockpit emocionado. O tetracampeão mundial descreveu o trecho como um momento muito emocionante, disse que sentiu o amigo nas voltas e confessou o que muita gente no paddock já imaginava: se pudesse escolher, preferia ver o próprio Schumacher no volante.

A demonstração, conforme lembrado pela Fórmula 1, aconteceu no domingo (6), antes do Grande Prêmio da Itália de 2026, no Autódromo Nacional de Monza. A Ferrari transformou o fim de semana numa celebração dos 30 anos da chegada de Schumacher a Maranello, em 1996, o mesmo ano em que o alemão venceu pela primeira vez na Itália de vermelho. No sábado, quem colocou a F2002 na pista foi o antigo companheiro de equipe Rubens Barrichello. No domingo, a vez foi de Vettel, diante das arquibancadas lotadas e da torcida apaixonada, conhecida mundialmente por Tifosi.

Antes mesmo de acelerar, Vettel já falava do peso de guiar um carro como este. “Em primeiro lugar, é pelo meu amigo e para lembrar isso, o que foi um momento muito emocional”, disse. Schumacher foi o seu ídolo de infância e, mais tarde, virou um amigo próximo. “Tivemos uma conexão profunda com nossa amizade, ficamos bem próximos e dividimos tantas memórias boas. Acho que preferiríamos muito mais vê-lo dirigir hoje do que a mim, eu incluso.”

Depois das voltas, a emoção aumentou. “Estou misturado de sentimentos. Por um lado, é um carro lindo de dirigir, uma máquina bonita. Mas, muito mais do que isso, é o carro do Michael. Ele não está aqui hoje, mas eu o senti bastante nessas voltas, e espero que vocês também o tenham ouvido e sentido”, afirmou o alemão, ainda visivelmente emocionado. Em outro trecho, brincou com um código antigo entre os dois: quando um começava a se emocionar, o outro dizia que tinha “xixi nos olhos”. Desta vez, quem ficou com os olhos marejados foi Vettel.

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Ele também falou do carro como se o chassi ainda cobrasse ritmo do piloto. “Não precisa de muitas voltas para sentir a alma de um carro. Você percebe na hora que era um carro especial, e ele grita ‘vai, vai, vai’.” Vettel confessou a disputa interna entre querer empurrar a F2002 e querer aproveitar o instante. Fez até “zerinhos” perto da segunda Variante, para o delírio de quem estava na grade. O macacão que ele usou trazia a frase: “For my friend Michael, there’s still a race to win.”

A F2002 não é um carro qualquer no museu da Scuderia. Projetada na era de Jean Todt, com liderança técnica de Ross Brawn e Rory Byrne, ela carregou Schumacher ao terceiro título pela Ferrari e ao quinto no total, em 2002. Naquele campeonato, o alemão subiu ao pódio nas 17 corridas, marca que a Fórmula 1 ainda trata como única. Foram 11 vitórias para Schumacher e cinco para Barrichello. A equipe perdeu só duas provas no ano. O título de pilotos veio bem cedo na ocasião, no Grande Prêmio da França, a 11ª etapa, ainda em julho. Em Monza, naquele mesmo 2002, Barrichello venceu largando da pole e Schumacher chegou em segundo, fazendo a dobradinha em casa.

Os atuais pilotos da casa, Charles Leclerc e Lewis Hamilton, correram com uma pintura especial inspirada na F310, o primeiro carro de Schumacher na Ferrari, em 1996. Nas fotos do paddock, Vettel ainda posou com a F2002 e a F310 juntas.

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Schumacher passou 11 temporadas na Ferrari, de 1996 a 2006, saiu com cinco títulos de pilotos e seis de construtores, voltou anos depois pela Mercedes e se aposentou em 2012. Desde o acidente de esqui, em dezembro de 2013, ele vive afastado da vida pública. Vettel, que correu de vermelho entre 2015 e 2020, disse que o espírito do amigo e o da Ferrari ainda estão vivos em Monza, que o coração batia forte e que sentia falta dele.

“Eu amo o esporte. Não corro mais, mas ainda amo, e provavelmente vou amar corrida enquanto eu viver. É por isso que eu me importo tanto, e esses momentos são tão especiais.” Queria ter parado no pódio, brincou, mas aquele lugar era dos pilotos do dia. O recado que ele quis deixar foi outro: o momento era de Michael, e o restante era só o privilégio de ter sentado, por algumas voltas, no carro do amigo.

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