Livro mostra como as redes sociais capturam sua atenção e o que você pode fazer para não virar refém delas

Um livro chega às livrarias brasileiras nesta quinta-feira (20) com um alerta: as plataformas online usam design, dados e inteligência artificial para prender a atenção das pessoas e transformar tempo de tela em lucro. 1 Minuto de Sua Atenção, de Erick Benikes Carlier e Kim Loeb, publicado pela Editora Voo, explica o chamado extrativismo da atenção e oferece caminhos práticos para recuperar o controle sobre as redes.
O título chega no mesmo momento em que a Meta enfrenta nos Estados Unidos um processo bilionário sobre os efeitos das suas redes sociais na saúde mental. A obra, de 248 páginas e voltada a leitores a partir dos 13 anos, pais e educadores, mistura histórias reais, experimentos, metáforas e humor para mostrar como notificações, rolagem infinita, reprodução automática e conteúdos personalizados estendem o tempo diante da tela.
Os números no Brasil já mostram o tamanho do problema. Segundo a pesquisa Adolescência Sem Filtro, do Instituto Alana com a agência Koga, feita em junho deste ano, 50% dos jovens de 13 a 17 anos dizem passar mais tempo online do que gostariam. Quase 80% ficam conectados por mais de três horas por dia e 15% ultrapassam as oito horas. Cerca de 40% afirmam estar mais dependentes do celular e da internet do que há dois anos. Uma proporção semelhante relata piora na qualidade do sono e no tempo de estudo. E a ansiedade, uma das palavras mais faladas atualmente, aparece durante o uso em 22% das respostas.
Nos Estados Unidos o quadro não é muito diferente. Um levantamento de 2024 do The Harris Poll com 1.006 adultos da geração Z apontou que 60% passam pelo menos quatro horas por dia nas redes. 22% chegam a sete horas ou mais. Mesmo assim, 82% associam o uso à ideia de dependência, 43% ao isolamento e 59% acreditam que as redes tiveram impacto negativo sobre sua geração. Entre as mulheres, 44% apontam efeito negativo na saúde emocional.
A expressão extractive attention economy ganhou força com Tristan Harris, ex-especialista em ética do design do Google e cofundador do Center for Humane Technology. No livro ela vira uma metáfora simples: um restaurante que usa truques questionáveis para fazer o cliente comer mais, usando substâncias que aumentam a fome, espionagem de hábitos e perseguição com ofertas. As plataformas fazem algo parecido. Observam comportamentos, testam estímulos e seguem refinando continuamente o que entregam.
O próprio primeiro presidente do Facebook, Sean Parker, já admitiu a lógica em entrevista antiga: “Como podemos consumir o máximo possível de seu tempo e atenção consciente? É um ciclo de feedback de validação social… Estamos explorando uma vulnerabilidade na psicologia humana… nós entendemos isso, conscientemente, e fizemos mesmo assim.”
É exatamente esse modelo que está no centro do processo contra a Meta, avaliado em mais de US$ 1 trilhão. A empresa é acusada de saber que o negócio se baseava na dependência e de ter escondido estudos internos sobre os danos. O livro identifica 11 técnicas de design que exploram vulnerabilidades humanas, que são as mesmas que o processo quer proibir. Entre elas estão o scroll infinito, os stories e a contagem de likes e seguidores. Carlier e Loeb comparam essas ferramentas aos “truques do restaurante”.
Erick Benikes Carlier trabalhou mais de 15 anos com marketing e publicidade de grandes empresas. Em reuniões com plataformas digitais ele viu de perto as engrenagens de audiência e engajamento. “Foi ali que conheci, por dentro, as engrenagens de audiência e engajamento”, conta. Kim Loeb, formado em Administração pela FGV, ilustrador e profissional do audiovisual, passou anos criando conteúdo infantil e pré-escolar. A experiência nos bastidores do entretenimento e o interesse pelos efeitos do excesso de estímulos orientam a reflexão dele sobre atenção e reconexão. Além de coautor, Loeb assina as ilustrações e a capa.
O livro se apoia em 98 fontes, entre estudos acadêmicos, relatórios, artigos e materiais de organizações. Depois de explicar o problema, propõe caminhos de uso diferentes, para controlar as redes ao invés de ser controlados por elas: mudanças de hábitos, acordos familiares, ações coletivas e novas regras para as plataformas. Um QR Code dá acesso a material complementar para educadores e facilitadores.
João Francisco Coelho, advogado do Criança e Consumo e do Eixo Digital do Alana, resume assim: “Além de oferecer um dos melhores retratos do extrativismo da atenção, este livro serve como um lembrete de que a literatura infantojuvenil pode ser um poderoso veículo de mensagens também para os adultos. Uma leitura para todos.”
A obra faz parte do projeto Um por Um. Segundo a Editora Voo, o lucro das vendas será destinado ao Fundo Jonah Pournazarian GSD 1B, que financia pesquisas sobre a doença de armazenamento do glicogênio.

Aproveite que está aqui e siga o Arkade no
Aproveite Assassin’s Creed Black Flag Resynced com desconto e frete Prime na Amazon.
Ganhamos uma pequena comissão nos links compartilhados em nossos posts. Você não gastará nada mais com isso e ainda apoiará o jornalismo independente de games e cultura.








