Fórmula 1 – Lando Norris sabe que sua McLaren melhorou, mas espera não ter o mesmo azar de Madri em Baku
Lando Norris chega a Baku após perder a vitória em Madri por azar, enquanto a McLaren mostra ritmo para desafiar a Mercedes na Fórmula 1.
A vitória que Lando Norris tinha nas mãos no GP da Espanha escapou por um detalhe de segundos e é exatamente isso que muda o jeito como a Fórmula 1 olha para o britânico no GP do Azerbaijão, em Baku, no dia 26 de setembro.
No Madring, circuito inédito de Madri, o piloto da McLaren largou da pole, abriu mais de seis segundos para Kimi Antonelli e controlava a prova quando o Safety Car Virtual apareceu no pior momento possível: Lance Stroll parou a Aston Martin na pista quando Norris já tinha passado da entrada dos boxes. Assim, quase todo mundo, que passou no pit atrás, conseguiu parar. Ele, não. Quando enfim conseguiu ir aos pits, o VSC já tinha acabado e o pit stop da McLaren ainda perdeu tempo, fazendo o piloto voltar em quinto. Por isso, perdeu a vitória e teve de se contentar com a terceira posição, a 5,089 segundos de Antonelli e colado em Max Verstappen, sem ter onde passar num traçado em que ultrapassar não é tão simples.
Assim, o italiano da Mercedes levou a bandeirada do Madring e chegou à oitava vitória em 14 etapas, com a diferença no campeonato agora sendo de 81 pontos para George Russell e de 106 para Norris. Mesmo assim, o ritmo de Norris chamou atenção. A MCL40 foi o carro mais rápido do fim de semana, já que a pole veio por 0,011s sobre Antonelli e mesmo com os problemas de paradas, a recuperação até o pódio mostrou que o problema de domingo não envolveu a performance do carro.
Norris foi o mais veloz em Madri. Ele sabia disso e Antonelli também
Depois da corrida, Norris foi direto. “Não é como se tivéssemos feito alguma coisa que nos fizesse perder. Só tivemos um azar absurdo hoje. Eu fui o único do grid que não teve chance de fazer o pit stop.” E completou o raciocínio que deve guiar ele até Baku: a sensação de que ter pole, assumir a liderança, e ver a vitória saindo por algo fora do controle do piloto não pode se repetir. “Não acho que uma corrida deveria ser ganha assim.”
Antonelli, por sua vez, celebrou a vitória mas sabendo que ela veio sem ser em disputa direta na pista. Disse que Norris merecia a vitória naquele domingo, mas o resultado deixou algo claro: o campeão de 2025 voltou a ser o cara que dita o ritmo quando o carro está no ponto.
Antes da prova, Zak Brown ainda falava em “até deixar de ser possível, é possível”. De qualquer forma, depois de Madri, a matemática ficou mais complicada para o time. Restam nove etapas num calendário de 23. Sem uma sequência de vitórias e algum tombo da Mercedes, a conquista de construtores vai ficando mais difícil.
Baku: de rua como Madri, mas com promessa de mais caos
O Baku City Circuit é o oposto do que o Madring entregou no domingo. Em Madri, o fã esperou o fim de semana inteiro prevendo caos e recebeu uma corrida travada, com poucos duelos reais e um único momento estratégico decidindo o pódio. Em Baku, com seus muros perto dos pilotos, retas longas e histórico de bastante visitas do Safety Car fazem parte doas expectativas dos fãs. Lá, quem erra paga mais caro. E quem acerta a classificação e sobrevive ao primeiro stint costuma ter vantagem para a vitória.
Isso importa para Norris por dois motivos. O primeiro é o carro: a McLaren mostrou em Hungaroring e Zandvoort — e de novo na classificação de Madri — que, quando o acerto funciona, o britânico consegue voltas de outro nível. O segundo é o tipo de fim de semana. Baku premia quem segura a pressão, sabe domar o aperto do traçado e, ao mesmo tempo, abre espaço para o acaso. Um Safety Car dessa vez na hora certa, um toque de rivais na classificação ou um pit sob bandeira amarela pode ser o mesmo tipo de detalhe que tirou a vitória em Madri, mas que agora pode devolver pontos grandes no Cáucaso.
Há ainda um detalhe de calendário que apesar de simples, pode mudar tudo no grid. A corrida no Azerbaijão será no sábado, 26 de setembro, e não no domingo. A Fórmula 1 antecipou o fim de semana a pedido do promotor local por causa do Dia da Recordação no país, em 27 de setembro. A data lembra de um conflito recente do país, a Segunda Guerra de Nagorno-Karabakh, que ocorreu em 2020.
O campeonato depois de Madri
A tabela, atualizada após as 57 voltas do Madring, ficou assim:
- Kimi Antonelli (Mercedes) — 292 pontos
- George Russell (Mercedes) — 211
- Lewis Hamilton (Ferrari) — 191
- Lando Norris (McLaren) — 186
- Charles Leclerc (Ferrari) — 167
- Max Verstappen (Red Bull) — 145
- Oscar Piastri (McLaren) — 120
Com o seu desempenho em 2026 e a volta das vitórias, Antonelli virou favorito disparado, mas Norris, com a volta da boa fase da McLaren, se tornou o novo postulante ao titulo, ainda à frente de Russell, mesmo com uma pontuação mais baixa.
Se Norris vencer nas ruas de Baku e Antonelli oscilar, a temporada pode ficar ligeiramente mais acirrada. Mas se repetir o filme de Madri, Lando Norris pode praticamente jogar a toalha e focar em 2027. Mas isso depende do piloto e de sua equipe, para não só ajustar o carro, como também não contar com momentos de azar como o ocorrido na corrida espanhola.
O GP do Azerbaijão fecha o bloco europeu e abre a parte final da temporada, para observarmos como a temporada será definida: se com passeio da Mercedes ou com drama.
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