Para a Take-Two, games em mídias físicas serão como o disco de vinil: seguirão existindo, mas como produtos de nicho

O CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, deixou claro nesta sexta-feira (7) que a empresa enxerga o formato físico como algo cada vez mais secundário. Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027, ele afirmou que o negócio da companhia já é “bem mais de 90% digital” e defendeu a decisão da PlayStation de parar de fabricar discos para jogos novos a partir de janeiro de 2028.
“Nosso negócio já é bem mais de 90% distribuído digitalmente. É um negócio digital. Então, em certos casos, especialmente quando se trata de um jogo grande, discos – e note que eu disse discos – simplesmente não fazem muito sentido para o consumidor”, disse Zelnick. Ele lembrou que, na maioria das vezes, o jogador precisa se registrar online de qualquer forma. “Se você já está conectado, qual a diferença se baixar o jogo digitalmente? É a mesma coisa e é bem mais conveniente.”
A comparação que ele usou, conforme noticiado pelo Multiplayer.it, foi simples: o físico deve se tornar uma espécie de vinil do mercado de jogos. Continua existindo, mas como produto de nicho. “Isso não significa que não vamos mais lançar edições físicas de vez em quando. Com certeza vamos, da mesma forma que ainda existe vinil na indústria da música. Mas em muitos outros casos, simplesmente não vai fazer sentido.”
No caso de GTA 6, a edição “física” que chega às lojas em novembro será apenas a caixa com código de download, sem nenhum disco. Zelnick não comentou diretamente a decisão da Sony, mas deixou claro que a Take-Two (dona da Rockstar) está alinhada com o movimento. Para ele, o mercado caminha nessa direção e a Sony também já entendeu isso.
A PlayStation confirmou em julho que, a partir de janeiro de 2028, jogos novos deixam de sair em disco e já falamos muito a respeito disso. As produções anteriores continuam podendo ser fabricadas, e as lojas físicas ainda devem oferecer opções com código. A mudança, segundo a própria Sony, não afeta o negócio atual e acompanha o que a maior parte dos jogadores já está acostumada: comprar digitalmente e baixar o jogo.
Os números reforçam o cenário. Segundo o analista Daniel Ahmad (compartilhado pela Eurogamer), o físico representou cerca de 2% da receita da Take-Two no trimestre e 3% no último ano fiscal completo. Na visão da indústria, significa uma fatia pequena demais para justificar a complexidade de produzir, distribuir e gerenciar discos em jogos do tamanho de GTA 6, que dependem de atualizações constantes, e conteúdo online.
Zelnick também falou dos pré-pedidos de GTA 6. Disse que são “excepcionais” e “sem precedentes” tanto para a Take-Two quanto para a indústria, mas manteve o tom cauteloso: ainda não venderam uma unidade sequer, na prática, e os pedidos podem ser cancelados.
A conversa deixa uma coisa bem clara. Para as grandes publishers, o disco já deixou de ser o padrão. O físico continua vivo para quem gosta de ter a caixa na estante, mas o volume real de vendas e a conveniência apontam cada vez mais para o download. E quem publica o maior jogo dos últimos anos está de acordo com isso.
Talvez, a solução que a indústria poderia encontrar, como o próprio Zelnick citou, é a de não abandonar totalmente a mídia física em games, mas remanejá-la para lucrar em cima de um produto mais completo, como os de antigamente: que traziam não apenas o disco, mas mapas, brindes e, em edições especiais, até elementos mais bacanas para quem valoriza o game na estante e não vai abrir mão disso, ao invés de apenas “acabar” com a opção. Mas, como sabemos, só saberemos o real impacto das decisões de hoje amanhã, quando o publico responderá, com números, os movimentos da indústria.
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