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Grandma, jogo de Game Boy feito por um artista para homenagear sua falecida avó, quer lançar um cartucho para quem quiser fazer o mesmo

Grandma ganhará cartucho de metal para Game Boy, com memorial digital compartilhado, em campanha no Kickstarter a partir de 24 de setembro.

Junior Candido
Grandma, jogo de Game Boy feito por um artista para homenagear sua falecida avó, quer lançar um cartucho para quem quiser fazer o mesmo

Grandma, o jogo de Game Boy que o artista chinês Zhou Yichen fez para guardar os últimos meses com a avó, vai sair em cartucho de metal e oferecerá para quem quiser um memorial digital aberto. A campanha no Kickstarter começa em 24 de setembro de 2026.

Quem acompanhou a história no fim de 2024 deve se lembrar da iniciativa: um neto que voltou para casa depois da queda da avó, passou meses cuidando dela e, quando ela morreu, transformou aquela rotina em um game curto para o portátil. Agora o projeto muda de escala. Em parceria com a PB Tails, o mesmo trabalho vira um item físico, envolvendo um cartucho jogável no Game Boy original e em handhelds retrô atuais, e, através da função de NFC, também vira porta de entrada para o Grandma Wall.

Pelo cartucho, dá para enviar a foto de alguém que importa para o jogador, transformar essa pessoa num personagem de 8 bits e deixar um recado para ela. A homenagem que começou no quarto de Zhou deixa de ser só dele. Vira um espaço compartilhado de memória.

O melhor exemplo do que se pode fazer com o cartucho vem do próprio criador: em março de 2024, a avó de Zhou caiu em casa e não conseguia mais se virar sozinha e por isso ele se mudou para morar com ela. Foram cerca de seis meses fazendo pequenas tarefas: comida, banho, cadeira de rodas, televisão e conversa. Em 11 de outubro daquele ano, ela morreu em paz. Ele já vinha desenhando o game enquanto ela ainda estava viva. Depois do enterro, fechou o final.

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O jogo dura uns cinco minutos. Não tem placar, conquista nem motivo para “zerar de novo” no sentido clássico. O jogador entra na casa, cuida da avó dezenas de vezes no mesmo ciclo e, no fim, ela agradece o cuidado e se despede. Em várias versões da cena, um pássaro grande a leva embora — imagem que Zhou ligou a um sonho. O que sobra é a casa e os objetos. Mexer neles traz de volta a presença dela.

Ele construiu tudo no GB Studio, no hardware que lembra a infância. Zhou nasceu em Wuhan, estudou arte no Hubei Institute of Fine Arts e no Pratt Institute, em Nova York, e já tinha feito mais de uma centena de games pequenos no mesmo formato quando Grandma circulou nas redes. A frase que ele repetiu na época ainda cabe aqui: jogos podem registrar a vida das pessoas e espalhar amor. A versão digital foi disponibilizada no itch.io, mas o cartucho, para ele, sempre teve outro peso. Ver o arquivo parado no computador, disse em entrevistas posteriores, dava uma espécie de vazio. Queria ter o objeto na mão, como capa de disco ou foto na parede.

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A edição de metal com a PB Tails empurra essa ideia para frente. A empresa é conhecida por controles e hardware com acabamento metálico; o cartucho joga nisso e no fetiche retrô ao mesmo tempo.

A campanha no Kickstarter abre em 24 de setembro de 2026. Se a execução acompanhar a premissa, Grandma deixa de ser só o diário interativo de um neto e vira um artefato estranho e específico desta época para quem quiser lembrar de um ente querido: um cartucho de um portátil clássico com chip novo, feito para lembrar gente que não volta na vida real, mas pode ser lembrado através do mundo virtual que os games podem oferecer.

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