Mais de 40% dos que cancelam Game Pass, PS Plus e Switch Online nos EUA culpam o preço, segundo o Circana
Pesquisa da Circana aponta que o preço é o principal motivo para cancelar Game Pass, PS Plus e Nintendo Switch Online nos Estados Unidos.
Quem cancela Xbox Game Pass Essential, PlayStation Plus Essential ou Nintendo Switch Online nos Estados Unidos aponta cada vez mais o valor da mensalidade como motivo principal. Pesquisa da Circana divulgada pelo Games Industry mostra que mais de 40% desses cancelamentos recentes citam o custo, uma fatia maior do que a registrada no primeiro trimestre de 2026.
O dado não diz que 40% da base de assinantes cancelaram o serviço. Mat Piscatella, diretor sênior e analista de games da Circana, deixou isso claro ao divulgar a Future of Insights for Video Games Consumer Survey. A pesquisa mede o porquê de quem já saiu, não o volume de gente que está saindo. Em outras palavras: entre os que desistiram, o bolso pesou mais do que o catálogo fraco ou o desinteresse pelo serviço.
O salto mais claro aparece no Nintendo Switch Online. Metade dos que cancelaram o plano nos últimos meses disse que gostava do serviço, mas não conseguia encaixar o valor no orçamento. No começo do ano, essa resposta ficava em 40%. No Game Pass Essential e no PS Plus Essential, o mesmo recorte subiu de 37% no primeiro trimestre para 40% agora.
A leitura é desconfortável para as três empresas porque o perfil descrito não é de quem cancelou por não gostar do produto. É de gente que ainda via utilidade nos serviços e, mesmo assim, cortou o gasto.
As coisas não estão tão diferentes no Brasil
O recorte da Circana é americano, mas o movimento de reajuste não parou na fronteira. No Brasil, o Xbox Game Pass Ultimate chegou a R$ 119,90 por mês depois da reformulação de outubro de 2025. Em abril de 2026, a Microsoft recuou e baixou o plano para R$ 76,90. O Essential segue em R$ 43,90 e o Premium em R$ 59,90. O recuo veio com uma troca: novos Call of Duty deixam de entrar no catálogo no dia do lançamento. A justificativa da própria Xbox ao diminuir o preço de novo foi que o serviço tinha ficado caro demais para muita gente.
A Sony mexeu no PlayStation Plus em maio de 2026. Para novos assinantes, o Essential mensal passou de R$ 43,90 para R$ 49,90; o Extra, de R$ 65,90 para R$ 74,90; o Deluxe, de R$ 76,90 para R$ 86,90. Os planos anuais ficaram iguais (R$ 359,90, R$ 592,90 e R$ 691,90), o que empurra quem assina mês a mês a pagar mais pelo mesmo acesso.
O Nintendo Switch Online continua no modelo mais barato do trio, com cobrança anual. Mesmo assim, foi o serviço em que a Circana viu o maior salto na resposta do orçamento. Gostar do pacote e achar que ele não cabe no mês virou a resposta mais comum..
Fora da assinatura, os jogos e o hardware também subiram. Xbox, PlayStation e Nintendo reajustaram consoles neste ano citando “condições de mercado”. O setor liga o discurso à alta de memória e componentes puxada pelos data centers de inteligência artificial, o que Asha Sharma, CEO da Xbox, já descreveu em entrevista como uma espécie de “Rampocalypse”.
Assinatura mais cara, benefícios mais limitados
A Xbox tenta responder ao preço com formatos diferentes, não só com desconto. Em julho, começou a testar streaming com anúncio antes da sessão, sem interromper a partida. A empresa apresentou o experimento como um jeito de abrir o acesso para quem não quer (ou não pode) manter a mensalidade.
Em novembro de 2026 entra outra mudança, válida também no Brasil: teto mensal de nuvem no Game Pass. O Ultimate fica com 15 horas, o Premium com 10 e o Essential com 5. Quem estourar o limite poderá comprar horas avulsas na loja. A Xbox estima que a regra atinge cerca de 4% da base, mas o recado para o assinante do serviço é: mantenha sua assinatura em dia, para se manter dentro do serviço de forma ilimitada. Se cancelar e voltar depois, terá o teto de tempo também.
Sharma tem repetido que a divisão precisa equilibrar desempenho com custo e eficiência. Na prática, isso aparece como preço menor no topo do Game Pass, Call of Duty mais longe do day one, anúncio no streaming e cota de nuvem. O serviço continua existindo. O pacote que o jogador recebe por aquele valor, não.
Tá difícil gostar de videogame
O levantamento mostra uma mudança de motivação. Antes, quem saía destes serviços podia apontar catálogo, falta de tempo ou troca de plataforma como motivos. Agora, uma fatia maior descreve o mesmo cenário: o serviço ainda agrada, mas o orçamento não. No Switch Online, isso já é a resposta de um em cada dois cancelamentos recentes.
Para o jogador brasileiro que equilibra console, catálogo e multiplayer no mesmo cartão, além de aluguel, conta de luz, combustível e os demais gastos, o recorte americano funciona como um termômetro, pois se para eles o fator grana já está pesando, imagine para nós brasileiros. Game Pass, PS Plus e Switch Online deixaram de ser um gasto “automático” e voltaram a ser uma conta mensal que precisa se justificar para existir. Quando essa assinatura encarece e o benefício encolhe cancelamento deixa de ser birra e vira corte de despesa.
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