Análise Arkade – Hot Wheels Infinity Rush te tira do quarto fechado e te joga em um mundo aberto de atividades
Analisamos Hot Wheels Infinite Rush, novo jogo de corrida da Milestone com mundo aberto, quatro ilhas e mais de 150 carrinhos.
Os carrinhos em Hot Wheels Infinite Rush resolveram sair dos circuitos fechados e joga o carrinho no meio da cidade. A Milestone lança hoje, em 10 de setembro de 2026, o sucessor de Hot Wheels Unleashed, mas agora com quatro ilhas em mundo aberto, mais de 150 veículos, quatro classes de handling bem diferentes e o objetivo de fazer o jogador virar o Rush Master de cada mapa no jeitão de Forza Horizon e The Crew. O game está disponível no PlayStation 5, no Xbox Series e no Nintendo Switch 2, e no PC, com direito a textos em português.
O game muda em formato, mas permanece na essência. A série da Milestone, que já tem dois jogos baseados em “corridas dentro de casa” em pistas pré-definidas, seguem com o mesmo jeitão divertido de guiar os carrinhos (e colecioná-los também), mas agora o jogador tem a possibilidade de guiar livremente pelo mapa, que antes era um tabuleiro, e fazer tarefas enquanto participa das provas e corridas.
O “parque de diversões” de carrinho tem tudo para ampliar ainda mais aquela ideia de brincar com os Hot Wheels em qualquer lugar, saindo de casa para brincar, como uma criança de qualquer idade, em praças, parques ou outros locais, imaginando estes lugares como locais de ação, e entrar na brincadeira com corridas, provas de drift, atividades secundárias e muito mais!
Sai de casa e vai brincar na rua, menino!

Os dois Hot Wheels Unleashed viviam dentro de pistas fechadas, simulando as famosas pistas dos brinquedos, montados em casas, que inclusive podiam ser customizados pelo jogador. Em Infinity Rush, a pista ainda existe, mas é como se a sua mãe tivesse te puxado pela orelha e te mandasse “pra brincar na rua, menino”, pois você tem que tomar sol. Você começa em Wheelswood, uma metrópole de arranha-céus, ruas estreitas e retas longas (tem até um gorila enorme no topo de um prédio, pra você lembrar que você está em um jogo do universo da Mattel). Completando eventos e vencendo o Rush Master local, as outras três ilhas abrem, ampliando o leque de atividades.
O Tentacle Bay é a parte “praiana” do game, com praia, mar azul, parque e um lula gigante no centro. Gearville é a área de deserto, com cânion, fábrica e um ar de Mad Max de brinquedo. E Drifty Temples traz um toque de Japão ao game, com neon, cerejeira, canal e um dragão enorme vigiando templos. As quatro se conectam pelo Launcher, uma área de teleporte que evita ficar dirigindo muito para apenas trocar de um lugar ao outro.
O visual roda em Unreal Engine 5 e apesar de focar em um mundo externo mais colorido, ainda aposta no visual mais puxado para um carrinho de plástico, deixando-os opacos e com “cara de plástico” de propósito. E isso manteve o charme do jogo, pois não queremos jogar um game Hot Wheels para ver carros iguais os de outros jogos; queremos carros estranhos, malucos e, se forem baseados em carros reais, que pareçam brinquedos e não modelos ultra-realistas. E que o DLSS 5 passe longe daqui.
E isso rende algo bem divertido, pois o seu carrinho não vai se destruir ou amassar com os possíveis impactos, mas o mundo sim, e no melhor estilo dos jogos de Lego. Não que você verá bloquinhos se desmontando, mas a sensação de ver os itens caindo como plástico é bem interessante.
Hot Wheels, temos que pegar

O número de carrinhos rivaliza com Pokémon e passa de 150 carros logo no lançamento, separados em Versatile, Titan, Drifter e Speeder, com os eventos exigindo carros específicos para que tudo funcione direito. Montar um Rush Squad com um de cada tipo deixa de ser um simples papo de colecionador e vira necessidade, com o jogador precisando montar um time com bons carros, cada um para um fim específico:
- Speeder existe para pisar fundo, voar em reta e feitos para brigas contra o relógio. Vai embora e pede pulso para não voar da pista.
- Drifter traz a cultura dos drifts de uma forma mais intensa. Se você já gostava do drift dos Unleashed, vai adorar as novas atividades.
- Titan é o trator da festa, é o trambolho que empurra obstáculo, rival e destrói os cenário de plástico.
- Versatile é o coringa da exploração, o que você deixa selecionado quando está só zanzando pela ilha, e que consegue se adaptar um pouco aqui e ali, quando necessário.
Dá para trocar de classe e de modelo com relativa rapidez. Os upgrades mexem em valores como drift, nitro e comportamento geral, tirando a ideia de “ter o carro perfeito” e fazendo o jogador a montar um time de carros úteis para cada fim.
Como a coleção realmente cresce

Tem uma loja no estilo prateleira de brinquedo para comprar os carrinhos e também tem eventos que entregam carros. E tem um jeito bem interessante de aumentar sua coleção: os Daredevils. São NPCs andando pelo mapa com um modelo que você ainda não tem. Se você se lembra dos rachas em Need for Speed Underground, vai se sentir em casa aqui: você cola atrás, chama no X1, se ganhar, o carro do perdedor vai para a garagem. É mais uma atividade que explora o mundo aberto do jogo, e que te deixa mais na pista e menos em menus, como nos jogos anteriores.
Cada ilha tem um Rush Master, ativo quando o jogador limpa a lista de desafios, destravando o duelo e levando o carro e o título daquele mapa, se vencer. Um dos prêmios citados em é um Aston Martin 2017. Quem derrota os quatro vira o Rush Master do jogo. É uma ideia simples, mas funcional, para te fazer “zerar” o jogo, enchendo a garagem no processo.
Além disso, o mapa espalha:
- Delivery Stunt: entregar o carro no destino sem bater. Cada colisão tira “vida” da missão.
- Tourist: foto em enquadramento específico, para gerar cartão-postal divertidos dos locais.
- Stuntman: destruir o máximo de objetos, em uma atividade focada apenas em sair derrubando tudo.
- Find the Flame: chegar num ponto no menor tempo, sem uma rota marcada.
- Zonas de drift, boost e coleta escondida.
Isso deixa o jogo mais repetitivo, pois o mundo do game não tem tanta coisa para se fazer como em um Forza Horizon da vida. Por outro lado, a competência da Milestone está aqui, e o jogo funciona como uma opção mais leve para um jogo de corrida em mapa aberto, além de ser funcional para crianças, que podem se divertir por aqui de uma forma mais direta e simples, e ainda com os carrinhos que eles já adoram.
Agora você monta pista no meio da rua

O Track Builder volta mais amplo, já que você saiu de uma casa e foi pra rua. A novidade da vez é o poder colocar as peças diretamente no chão: o módulo gruda no asfalto, no prédio, no desnível. Dá para colocar um loop no meio da cidade em vez de construir um circuito fechado e isolado. E como o game tem áreas variadas, o criador libera biomas conforme você avança nas ilhas.
Na garagem o jogador ganha um editor de adesivo, e, pela primeira vez na linha da Milestone, customização de roda. É o sonho de todo mundo que queria customizar o seu próprio Hot Wheels, mas não sabia como fazer, ou tinha medo de estragar o carrinho.
Multiplayer? Tem online, mas entre amigos tudo fica mais divertido!

Em tempos os quais as pessoas tem buscado voltar a tempos passados, a tela dividida para jogatina local vai até 4 jogadores e promete divertir encontros entre amigos, especialmente se forem entusiastas dos carrinhos. No online as corridas sobem a até 12 jogadores, com direito a ranking e desafios. O cross-play vale entre PS5, Xbox e PC, mas o Switch 2 fica de fora do cross-play, e também tem um grid online reduzido, com 6 carros.
Temos de entender que um game como este não foi concebido com foco no online. O multiplayer via Internet está lá e é muito bem vindo, mas este jogo clama por gameplay entre amigos, em um mesmo ambiente, compartilhando controles e a desculpa de que perdeu justamente “por culpa do controle”, sempre ele. Pela forma que as corridas foram feitas e todo o caos de uma sadia brincadeira são levados pra tela e tornam tudo mais legal, igual quando a gente brincava com os carrinhos, quando crianças.
A qualidade da Milestone e o know-how de Unleashed

O que a Milestone aprendeu em Unleashed está aqui, e foi ampliado com um jogo feito exclusivamente para uma geração mais potente, o que inclui a iniciativa de mundo aberto. Toda aquela diversão permitida por um gameplay competente continua entregando o que um Hot Wheels sempre vendeu, em forma de jogo ou brinquedo.
Aquela ideia de correr em locais abertos como a imaginação de uma criança, que vê rampas em prédios ou uma praça totalmente pronta para ser destruída (sem ir pra cadeia por isso) foram ideias bem vindas, dentro do contexto de brinquedo e brincadeiras. Por outro lado, espere um mundo aberto grande, mas não tão profundo. Diria que ele lembra jogos de PS2, no sentido de que jogos daquela época já entregavam mundos abertos, mas sem tanta coisa a se explorar, salvo os games da Rockstar, claro.
Não espere também alta dificuldade, atividades revolucionárias e recursos comuns a jogos de corrida em mundo aberto. E não, não o compare com Forza Horizon, pois a proposta é diferente: outro público, outra cultura de “coleção”, e outra forma de se correr. Infinity Rush não demonstra ser o “Forza Horizon de brinquedo”, mas sim levar a sua franquia para atividades mais abertas. Mais simples, claro, mas também capazes de divertir, desde que se entenda a sua proposta.
Questionamentos como estes, e comparativos, mesmo injustos, fazem sentido aqui no Brasil, já que videogame é tão caro e os jogadores costumam pesquisar mais um jogo antes de investir o seu dinheiro. Mas aqui a proposta é: diversão simples em um mundo aberto competente, divertido e que rende bons momentos com amigos. Se isso for suficiente para você, pode ter certeza que o jogo irá te recompensar por isso.
Hot Wheels Infinite Rush funciona melhor como um jogo de diversão simples do que algo para se levar a sério. O que ele oferece de melhor é o contexto de coleção e diversão “aqui e agora”, sozinho ou entre amigos. O Track Builder e a tela dividida esticam um pouco a vida útil e o mundo aberto não é o melhor de todos os tempos, mas agrada quem gosta de mapa cheio de ícone e passear descompromissado pelo game.
Se a ideia é ter um corrida arcade acessível para brincar, este é o jogo. A Milestone sabe fazer jogos de corrida, e acertou o seu volante de novo. Mas não espere mais do que isso, para não se decepcionar.
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