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Chip de segurança do PS2 Fat é extraído após 4 anos de trabalho; CXP102064 MechaCon dos primeiros modelos deixa de ser uma “caixa-preta”

Firmware do chip MechaCon dos primeiros PS2 Fat é extraído após quatro anos, abrindo caminhos para reparos, preservação e emulação.

Junior Candido
Chip de segurança do PS2 Fat é extraído após 4 anos; CXP102064 MechaCon dos primeiros modelos deixa de ser caixa-preta

O firmware do CXP102064 MechaCon, o chip que controla o drive e parte da segurança dos primeiros PlayStation 2 Fat, foi extraído. O anúncio saiu no dia 13 de setembro, depois de quatro anos de decapagem química, leitura óptica do silício e, no fim, um trabalho por software. Quem liderou o trabalho foi o pesquisador canadense DiscoStarslayer. A colaboradora Libby encontrou o exploit a partir dos dumps ópticos ainda sujos.

O que mudou, de verdade, é o acesso ao código e às chaves que ficavam presos na mask ROM desse MechaCon baseado no núcleo SPC970. O projeto busca, com esta descoberta, melhorar os reparos em unidades defeituosas, ampliar a preservação dos jogos do console e ainda melhorar o desenvolvimento dos emuladores.

O MechaCon não é só o “cérebro do leitor”. Ele dita as regras no laser, no foco, no tracking, no motor e na bandeja. Ao mesmo tempo entra na autenticação do disco original, no controle de região, no MagicGate dos memory cards oficiais e no tratamento de executáveis protegidos KELF e KIRX. O código e as chaves nasceram gravados na máscara do chip. Não dá para ler isso como se lê uma EEPROM comum. Por isso o começo do trabalho passou por abrir o encapsulamento e reconstruir o que dava para enxergar.

A Sony colocou essa família nos modelos iniciais — modelos como SCPH-10000, SCPH-15000, SCPH-18000, SCPH-30000 e afins. O CXP101064 aparece nas placas mais antigas, por volta do fim de 1999, e o CXP102064 entra com a revisão GH-003, já em 2000. A PlayStation 2 estreou no Japão em 4 de março de 2000.

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O próprio DiscoStarslayer descreveu o percurso em três etapas: decapagem, dump óptico e, por último, a solução em software. O ponto que importa para o resto da comunidade é esse último. Quebrar um chip no ácido mostra o que tem dentro daquela unidade. Um método por software deixa comparar firmwares de máquinas que ainda ligam, sem sacrificar cada controlador.

Aí vem o custo. No SPC970, o jeito atual de puxar a ROM exige muita escrita na NVRAM. A EEPROM da placa não foi feita para esse volume de ciclo. Relatos do período do anúncio falam em cerca de seis dumps concluídos e no risco real de a máquina não voltar a bootar se a gravação estourar ou se a restauração falhar. Depois do anúncio, o próprio pesquisador chegou a pedir dumps de outras regiões e comentou que as unidades da América do Norte do SPC970 já estavam verificadas. Austrália e outros mercados ainda tinham lacuna.

O que o dump não resolve também precisa ficar claro, porque a expectativa sobe rápido demais nessas notícias. Os discos de jogo, com exceção do que passa por autenticação online DNAS, não vêm criptografados desse jeito. Ter a ROM do MechaCon não destrava fase secreta nem faz o disco rodar melhor. Rodar cópia por software já era possível por memory card, HD ou exploit do player de DVD. Nas fat da série 50k para frente, com o Dragon MechaCon, existe ainda o patch de force unlock, que não pede patch no disco gravado.

Para emulação de sistema completo, o ganho é outro. MagicGate e o caminho de KELF/KIRX passam por esse chip. Emuladores como o PCSX2 já rodam a biblioteca enorme da PS2 sem precisar dessa ROM no dia a dia.

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Uma variante CXP102064-651R aparece nas placas de fliperama derivadas da PS2, como Namco System 246 e 256 e o Konami Python 1. É o hardware de Tekken 4, Soulcalibur II, Time Crisis 3, Wangan Midnight e outros. Ferramentas que a cena já usa — MechaPwn, TonyHax, trabalhos de dump do Dragon — ganham contexto, não um botão de “resolvido”. O TonyHax ajuda no modo PS1 e em MechaCons SPC970 e nos de PS1.

Quem tem um modelo SCPH-30001 ou uma versão japonesa de 2000 na prateleira não precisa correr para “aplicar o crack”. O que ele entrega é o mapa da mina, para quem quiser estudar o chip e descobrir mais sobre ele: revela o que o chip fazia em silêncio, quais revisões existem, onde a EEPROM sofre e o que ainda falta para um substituto honesto de drive. Quatro anos para chegar aqui. O próximo passo, se a cena for paciente, é catalogar dump com metadados certos e parar de tratar “MechaCon de PS2 Fat” como se fosse uma peça só.

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