Um novo projeto busca converter jogos de Game Boy Color para o Game Boy original, tirando as cores e fazendo um “caminho reverso”
Projeto GBC2DMG converte Pokémon Crystal para rodar no Game Boy original, com limitações técnicas e suporte inicial à versão beta.
Pokémon Crystal no Game Boy original. É isso que o GBC2DMG promete fazer, e o projeto já está no ar, para quem tem apenas o portátil monocromático em mãos, ou quem sempre ficou curioso de saber como jogos coloridos do portátil ficariam no console original de 1989.
O conversor, publicado no GitHub pelo desenvolvedor ItsJustBshawn, pega a ROM de Pokémon Crystal feita para Game Boy Color e gera uma versão que sobe no portátil monocromático de 1989. A primeira versão pública, 0.1 beta, saiu em 17 de setembro. Por enquanto o suporte cobre só as edições em inglês (EUA/Europa) v1.0 e v1.1 (Rev 1 / Rev A). O restante da biblioteca Color fica para depois, se houver demanda e quando cada jogo ganhar o próprio port.
Quem acompanha retrô japonês viu o anúncio passar pelo perfil de Yoshino Kentarou, que compartilha notícias como estas. Crystal nunca foi feito para rodar no console original. Diferente de Gold e Silver, que ainda rodavam no hardware antigo, ele nasceu exclusivo para o Color. Quem já tentou driblar isso com Game Genie ou GameShark, lá atrás, em geral só tinham que lidar com um “não” do console. O GBC2DMG não mexe nada do código original, ele apenas aplica um port específico do motor.
Na prática, seis pedaços da work RAM bancada do Crystal migram para a SRAM do cartucho. Os gráficos que escolhiam tiles nos dois bancos de VRAM do Color são reorganizados no único banco de 8 KiB do DMG. Transferências que dependiam do DMA do GBC viram cópia por software, respeitando a janela em que a memória de vídeo aceita escrita. Um cache de 96 slots reaproveita tiles iguais nas áreas grandes do mapa para o scrolling não comer a tela. Telhado, fonte e tiles animados têm tratamento à parte para não sobrescrever o que ainda está visível. O mapa e a colisão continuam no lugar; o que muda é onde o gráfico mora e como ele é carregado.
O cartucho convertido pede MBC5 com 128 KB de RAM. Parte guarda o save, parte vira área de trabalho. O relógio do Crystal deixa de ser o RTC clássico do cartucho Color: passa a ser um relógio de software que funciona enquanto o jogo está ligado e para quando o aparelho desliga, o que muda um pouco a experiência do game.
Por ser uma versão beta, o próprio autor pede backup de save e conversão de novo se você já tinha gerado a ROM antes do ajuste na close. A ROM original não é alterada, e o programa não vem com ROM nenhuma: ele identifica o arquivo oferecido pelo jogador pelo conteúdo, não pelo nome, e recusa região errada, hack ou dump modificado.
Isso também explica por que a fila de jogos não vai encher da noite para o dia. O conversor e a checagem de versão servem de base. Cada título Color ainda precisa de um port testado de forma específica: quanto de RAM bancada ele usa, como desenha o mapa, se depende de double speed, se o save e o relógio se comportam de outro jeito.
O código do aplicativo está sob licença MIT. O port se apoia no trabalho de descompilação do pret/pokecrystal, no assembler RGBDS, na documentação Pan Docs e no emulador SameBoy.
Quem quiser testar encontra o repositório e o pacote da 0.1 beta em github.com/ItsJustBshawn/GBC2DMG.
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