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Análise Arkade: The Walking Dead: Streets of Survival, um beat ’em up funcional, mas formulaico

The Walking Dead: Streets of Survival transforma a série da AMC em um beat ’em up retrô divertido, mas formulaico e pouco inspirado.

Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: The Walking Dead: Streets of Survival

The Walking Dead: Streets of Survival aproveita personagens conhecidos da série da AMC pra criar um beat ‘em up retrô que combina personagens em pixel art com cenários 3D e tenta resgatar a estrutura dos clássicos do gênero. Será que essa mistura funciona? Confira nossa análise!

Uma colagem de momentos de The Walking Dead

Como alguém que abandonou The Walking Dead relativamente cedo, confesso que estava um pouco por fora de alguns acontecimentos e personagens apresentados pelo jogo. A narrativa acaba funcionando quase como uma colagem de momentos e referências da série, e acredito que quem acompanhou a produção por mais tempo vai encontrar muito mais elementos reconhecíveis.

Análise Arkade: The Walking Dead: Streets of Survival, um beat ’em up que ficou preso no passado (imagem 2)

Pelo que pude descobrir, a campanha é baseada nos acontecimentos da Guerra Total, reimaginando o conflito entre os sobreviventes e os Salvadores em uma versão própria para o formato beat ’em up. Locais conhecidos da série, como Alexandria, Hilltop e o Santuário, aparecem ao longo da aventura, enquanto situações tensas são transformadas em fases de pancadaria.

Boiei um pouco na história, mas, convenhamos, ninguém joga um beat ’em up pela história. O que realmente importa é quem está dando porrada em quem, e aqui temos alguns personagens bastante queridos pelos fãs da série: Rick Grimes, Michonne e Daryl Dixon — além de Negan, que é um personagem (nem tão) secreto desbloqueável. Cada um possui armas e estilos de combate específicos: Rick utiliza sua magnum, Daryl empunha sua besta e Michonne carrega sua inseparável katana, enquanto Negan carrega seu fiel taco Lucille.

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Análise Arkade: The Walking Dead: Streets of Survival, um beat ’em up que ficou preso no passado (imagem 3)

AInda que não exista um narrativa super aprofundada, é interessante notar o cuidado com a personalidade de cada um. Michonne, por exemplo, não recolhe outras armas brancas espalhadas pelo cenário — ela não confia em nada que não seja sua katana. É um detalhe pequeno, mas demonstra que houve preocupação em preservar as características dos personagens mesmo dentro de uma experiência extremamente arcade.

Um beat ’em up bastante tradicional

Mecanicamente, Streets of Survival é aquilo que a gente espera de um beat ’em up tradicional. Temos ataques básicos e outros mais fortes que podem ser combinados em combos simples, bem como corrida, esquiva e um golpe especial, além da possibilidade de mirar e atirar. Como de praxe, podemos destruir objetos como caixas e latões em busca de itens e recursos.

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Os inimigos são divididos principalmente entre os zumbis e os humanos, sendo que estes últimos são mais perigosos, pois utilizam armas e têm comportamentos mais agressivos. Os chefes, por sua vez, incluem personagens e criaturas conhecidas do universo The Walking Dead.

Depois que passamos das primeiras fases e experimentamos o trio inicial de personagens, fica claro que o jogo se acomoda no que há de mais básico do gênero. Os combos são simples, as sequências de golpes são bastante limitadas e falta aquela camada adicional de possibilidades que divide um beat ’em up ok de um jogo que você realmente quer dominar.

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Ainda que traga algumas ideias interessantes– como objetivos opcionais espalhados pelas fasesStreets of Survival é preso demais a convenções um tanto antiquadas. Jogos como Streets of Rage 4 e os dois do Scott Pilgrim já mostraram que é possível preservar a essência clássica e, ao mesmo tempo, adicionar sistemas modernos, maior variedade de combos e uma progressão mais interessante.

Existe uma árvore de evolução para os personagens, mas ela também não consegue mudar significativamente a maneira como jogamos. Falta uma evolução mais perceptível, algo que fizesse com que Rick, Daryl e Michonne aprendessem novos golpes e adquirissem novas possibilidades de trucidar zumbis durante a campanha.

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Análise Arkade: The Walking Dead: Streets of Survival, um beat ’em up que ficou preso no passado (imagem 6)

No geral, parece que a árvore de habilidades está aqui só para dar uma impressão de profundidade, mas o núcleo do gameplay permanece praticamente o mesmo do começo ao fim.

Beat ’em up single player

Mas talvez a decisão mais estranha de Streets of Survival seja justamente a ausência completa de multiplayer cooperativo. Mesmo possuindo três personagens principais e um quarto desbloqueável, toda a experiência é exclusivamente single player, sem possibilidade de jogatina cooperativa de sofá nem online.

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Isso é particularmente curioso porque o multiplayer sempre foi um dos grandes atrativos dos beat ’em ups. A possibilidade de chamar um amigo (ou até três, em alguns casos) para espancar malfeitores, combinar ataques e enfrentar hordas de inimigos juntos é uma parte quase tão intrínseca do gênero quanto juntar comida o chão.

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Streets of Survival tenta compensar isso permitindo alternar entre os personagens durante a campanha e trazendo bifurcações que justificam isso. Há missões que exigem um personagem específico, fazendo com que não seja necessário ficar preso a um único protagonista.

Análise Arkade: The Walking Dead: Streets of Survival, um beat ’em up que ficou preso no passado (imagem 8)

Ainda assim, não deixa de ser uma oportunidade perdida. Um modo cooperativo local, principalmente, poderia deixar tudo mais divertido — e inclusive aumentar consideravelmente seu fator replay. Sem contar que, jogar em dupla poderia deixar certos momentos menos pentelhos: em uma das primeiras fases da campanha, por exemplo, somos obrigados a lidar com um zumbi imortal que fica nos perseguindo, enquanto temos que limpar uma área infestada de zumbis comuns.

Se ele te pegar, é one hit kill — e, se morrer, o checkpoint revive todos os inimigos vencidos da área. É uma situação mais irritante do que desafiadora, que sem dúvida ficaria mais palatável em dupla (de preferência, com alguma mecânica de reviver o parceiro).

Um apocalipse bonito, mas repetitivo

Visualmente, The Walking Dead: Streets of Survival está longe de ser o beat ’em up retrô mais impressionante que já vimos. Ainda assim, ele tem seu charme. A combinação de personagens em sprites 2D com cendários 3D acrescenta toda uma camada extra de exploração, que é bem utilizada em certos ambientes.

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Na pixel art, os protagonistas são especialmente caprichados e bem adaptados. Mesmo bastante caricatos, todos são facilmente reconhecíveis e conseguem preservar suas características visuais — algo que é particularmente importante em um jogo que aposta tanto no reconhecimento imediato dos fãs.

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Os inimigo não tem o mesmo capricho — nem tanto pela qualidade dos modelos, mas pela pouca variedade deles. A gente sabe que inimigos repetidos é parte da experiência de um beat ‘em up, mas o reaproveitamento aqui é excessivo e torna os encontros monótonos. Não é raro encontrarmos três ou quatro inimigos idênticos na mesma tela, com o mesmo padrão de comportamento.

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Por outro lado, a violência ajuda a diferenciar um pouco a experiência dos jogos de pancadaria mais “leves”. Estamos no universo de The Walking Dead, então espere por golpes que explodem a cabeça dos zumbis, cadáveres destroçados e tripas espalhadas pelo chão. Grotesco, mas apresentado dentro desta estética pixel art cartunesca.

A trilha sonora não tem nada de marcante ou memorável, e está lá só para cumprir tabela. Os efeitos sonoros são decentes, mas também não chegam a se destacar. Praticamente não há falas no jogo — exceto por uma frase de efeito de cada personagem na tela de seleção –, mas, felizmente, os textos e menus estão devidamente localizados para o nosso português brasileiro.

Conclusão

The Walking Dead: Streets of Survival é um beat ‘em up funcional e moderadamente divertido, que consegue aproveitar razoavelmente bem a identidade visual e o universo da série. O problema é que quase tudo nele é básico, formulaico. Não houve nenhum esforço em trazer um gameplay mais moderno, ou ideias mais arrojadas.

Análise Arkade: The Walking Dead: Streets of Survival, um beat ’em up que ficou preso no passado (imagem 11)

Vimos muitos beat ‘em ups inovando e acrescentando novos ingredientes à uma receita antiga. The Walking Dead: Streets of Survival, porém, ignora esta evolução. É um beat ’em up de 2026, mas que parece ter parado no tempo — há algumas décadas.

Ele tem personagens famosos e uma adaptação visual simpática, mas não desenvolve seu combate o suficiente, e fica na mesmice do início ao fim. A ausência de multiplayer cooperativo é um “pecado” grave, que elimina justamente um dos elementos que mais poderiam aumentar seu apelo e sua longevidade.

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Talvez os fãs mais assíduos de The Walking Dead encontrem mais qualidades no game. Mas, para quem está simplesmente procurando um bom beat ’em up, sem dúvida existem alternativas muito mais completas, interessantes e divertidas no mercado.

The Walking Dead: Streets of Survival foi lançado em 18 de setembro, com versões para PC, Playstation 5, Nintendo Switch, Switch 2 (versão analisada) e Xbox Series.

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The Walking Dead

Ficha do jogo
Plataformas
PlayStation, Xbox, Nintendo, PC
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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